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Ucrânia acusa Belarus de exacerbar tensões na fronteira por conta de peregrinos judeus

16/09/2020 10h52

Kiev, 16 Set 2020 (AFP) - A Ucrânia acusou, nesta quarta-feira (16), Belarus de "exacerbar" as tensões em sua fronteira compartilhada, fechada em razão da pandemia de coronavírus, ao encorajar peregrinos judeus a se dirigirem para lá, enquanto cerca de 2.000 deles já estão bloqueados.

"Atualmente, cerca de 2.000 peregrinos hassídicos estão na fronteira entre Belarus e a Ucrânia. A maioria veio de Israel acreditando nos rumores de que a fronteira ucraniana com Belarus estava aberta", declarou a presidência ucraniana.

Dezenas de milhares de peregrinos judeus hassídicos viajam a cada outono para Uman, no centro da Ucrânia, para visitar o túmulo do rabino Nahman de Breslev (1772-1810), fundador de um ramo do judaísmo ultraortodoxo, por ocasião do ano novo judaico.

Este ano, no entanto, são esperados apenas 3.000 peregrinos devido a uma série de medidas restritivas adotadas para conter a disseminação do coronavírus pelas autoridades ucranianas, que pediram aos peregrinos que não viajassem.

As celebrações estão programadas para este ano de 18 a 20 de setembro.

"Apelamos às autoridades bielorrussas para que parem de agravar as tensões na fronteira com o nosso país e não propaguem declarações falsas que trazem esperança aos peregrinos, dando-lhes a impressão de que a fronteira com a Ucrânia pode ser aberta a estrangeiros", insistiu a presidência em um comunicado.

Kiev não informou se os 2.000 peregrinos judeus estavam no mesmo local ou se espalhados ao longo da fronteira.

Na manhã desta quarta-feira, a Ucrânia e Belarus contabilizaram cerca de mil pessoas na zona neutra perto do posto de fronteira de Novi Yarylovychi.

As relações entre Kiev e Minsk estão tensas desde a eleição presidencial bielorrussa de 9 de agosto, que gerou um movimento de protesto sem precedentes contra o presidente Alexander Lukashenko, acusado de ter falsificado a votação e de reprimir a oposição.

Minsk e Moscou acusam a Ucrânia, assim como a Polônia ou os países bálticos, de alimentar secretamente essa contestação.

Kiev também mencionou o assunto em seu comunicado de imprensa sobre os peregrinos, observando que a Ucrânia considera que a eleição presidencial de 9 de agosto era "duvidosa" e que vem sofrendo "insultos" da parte bielorrussa.

Por sua vez, o ministro do Interior ucraniano afirmou que o posto fronteiriço de Novi Yarylovychi permaneceria fechado devido à situação epidêmica.

"Lembramos que atualmente existem peregrinos hassídicos que não desistem de suas tentativas de entrar na Ucrânia. Essas pessoas recebem alimentos e água", segundo o site do governo ucraniano.

osh-alf/pop/lpt/mr

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