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Incêndios nos EUA podem aumentar peso do tema ambiental na campanha presidencial

16/09/2020 10h44

A sete semanas da eleição presidencial nos Estados Unidos e ante os incêndios devastadores na costa oeste americana, a imprensa francesa avalia nesta quarta-feira (16) se o tema das mudanças climáticas poderá influenciar o resultado da votação.

A sete semanas da eleição presidencial nos Estados Unidos e ante os incêndios devastadores na costa oeste americana, a imprensa francesa avalia nesta quarta-feira (16) se o tema das mudanças climáticas poderá influenciar o resultado da votação.

O presidente Donald Trump minimiza a destruição causada pelos incêndios históricos na Califórnia, no Oregon e no estado de Washington. Dois milhões de hectares de vegetação, casas e estabelecimentos comerciais, o equivalente a 20.000 quilômetros quadrados, viraram fumaça nas últimas semanas. Ao menos 35 pessoas morreram, mas Trump persiste em seu negacionismo climático, recusando-se a associar o aumento das secas e das temperaturas às mudanças climáticas.

O adversário democrata, Joe Biden, vê nesse desprezo de Trump pela tragédia humana e ambiental uma oportunidade de trazer o assunto para o centro da campanha eleitoral. Segundo o jornal Libération, os democratas vão multiplicar os ataques a Trump nos próximos dias, fazendo um balanço das ações do republicano a favor do lobby do carvão e de outras energias fósseis implicadas no aquecimento global. Irão relembrar que Trump autorizou, em agosto, a exploração de petróleo em um santuário ecológico no Alasca. Durante seu mandato, o republicano também abrandou a regulamentação sobre a emissão de poluentes de carros e do gás metano.

Biden pretende apresentar propostas na área ambiental para mobilizar principalmente o eleitorado jovem, sem adotar, no entanto, todas as medidas do Green New Deal defendidas pela ala mais progressista do Partido Democrata. Biden sabe que a margem de manobra é estreita. Os americanos permanecem divididos sobre a questão ambiental. Em janeiro, 52% da população apontava o clima como uma prioridade, segundo uma pesquisa do Pew Research Center, atrás da economia (79%) e da saúde (68%).

Qualidade do ar crítica

O jornal 20 Minutos informa que 27 focos de incêndio continuavam ativos apenas na Califórnia, incluindo o "Bobcat Fire, que ameaça o lendário Observatório Astronômico do Mont Wilson, em Los Angeles, um edifício construído há 116 anos. A Califórnia paga o maior tributo em número de mortes, com pelo menos 27 vítimas desde agosto. Na terça-feira, dois jogos de basebol previstos em Seattle e São Francisco tiveram de ser adiados. A fumaça provocada pelos incêndios também chegou ontem a Nova York, do outro lado do país, na costa leste, a 4 mil quilômetros de distância das chamas. Apesar dos 16.000 bombeiros envolvidos no combate ao fogo, a atmosfera de apocalipse continua inalterada.

Além dos danos materiais, com milhares de pessoas que perderam tudo, no futuro será necessário analisar as consequências do fogo para a saúde dos americanos. A qualidade do ar é tão ruim na Califórnia que o governador Gavin Newsom disse que respirar durante um dia nas zonas próximas aos incêndios equivale a fumar 400 cigarros em 24 horas.

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