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Parlamento do Líbano debate declaração do estado de emergência em Beirute

13/08/2020 07h26

Beirute, 13 Ago 2020 (AFP) - O Parlamento do Líbano iniciou nesta quinta-feira um debate para aprovar o estado de emergência declarado em Beirute após a devastadora explosão no porto, que aumentou a raiva dos libaneses contra uma classe política que consideram responsável pela tragédia por sua negligência.

Mais de uma semana depois da explosão de 4 de agosto que deixou 171 mortos e mais de 6.500 feridos, autoridades estrangeiras continuam visitando Beirute, que deve receber nas próximas horas a ministra francesa da Defesa, Florence Parly, e o subsecretário de Estado para Assuntos Políticos, David Hale, número três da diplomacia americana.

Em Beirute, onde bairros inteiros foram transformados em ruínas, apelos por protestos circularam nas redes sociais para impedir a celebração da sessão parlamentar.

"Vocês nos mataram! Saiam!", afirmam as mensagens que circulam nas redes.

A tragédia, mais uma catástrofe para os libaneses já castigados pela profunda crise econômica, provocou a retomada do movimento de protesto iniciado em 2019 contra a classe política, acusada de corrupção e incompetência. E agora considerada diretamente responsável pela explosão por sua negligência.

A presença em um armazém do porto de toneladas de nitrato de amônio há seis anos era conhecida por todos, de acordo com alguns políticos libaneses e fontes das forças de segurança.

O governo declarou, um dia após a explosão, estado estado de emergência por duas semanas. Mas qualquer período superior a oito dias precisa da aprovação do Parlamento, segundo a ONG 'Legal Agenda'.

- "Impedir as reuniões" -O governo afirmou que, devido ao estado de emergência, um poder militar supremo teria as prerrogativas na área de segurança.

Para a 'Legal Agenda', a medida poderia "atentar contra a liberdade de manifestação e permitiria ao exército impedir as reuniões consideradas como uma ameaça à segurança".

O estado de emergência também poderia "ampliar a competência dos tribunais militares sobre os civis para os 'delitos relacionados com os atentados à segurança'", afirmou a organização.

O exército também poderia "colocar em prisão domiciliar qualquer pessoa que participe em atividades consideradas como 'ameaças para a segurança'", teme a ONG.

A sessão de quinta-feira será boicotada pelas Forças Libanesas. Este peso pesado tradicional da vida política se opõe ao governo do primeiro-ministro Hassan Diab - que renunciou na segunda-feira -, que foi formado por apenas um lado política, o do influente grupo xiita Hezbollah e seus aliados.

Irritados, os libaneses exigem a saída do presidente Michel Aoun, do presidente do Parlamento, Nabih Berri, de deputados e de todos os políticos que estão no poder há décadas. Nove dos 128 deputados renunciaram aos postos.

Nos últimos dias foram registrados distúrbios nos arredores do Parlamento. As forças de segurança usaram gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que responderam com pedras.

A investigação sobre a explosão continua: a partir de sexta-feira um promotor deve interrogar vários ministros e ex-ministros sobre as quase 2.750 toneladas de nitrato de amônio armazenadas no porto.

Ao mesmo tempo, voluntários e ONGs seguem limpando os escombros e distribuindo ajuda, em meio às críticas ao governo por não fazer o suficiente diante da dimensão da tragédia.

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