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Kamala Harris sonha em ser a primeira vice-presidente negra dos EUA

11/08/2020 19h25

Washington, 11 Ago 2020 (AFP) - Cansada das especulações sobre ser companheira da chapa democrata antes mesmo de Joe Biden concorrer à Casa Branca, Kamala Harris brincou que, pelo contrário, se vencesse, o ex-vice-presidente seria um "excelente" braço direito.

Com uma carreira brilhante, digna do melhor sonho americano apesar de alguns capítulos controversos, a senadora de 55 anos que sonhava em ser a primeira presidente negra dos Estados Unidos poderá finalmente tentar em novembro ser a primeira vice-presidente do país.

Muitos consideram que ela continua com os olhos nas eleições presidenciais de 2024, e logo, na esperança de então quebrar o último teto de vidro.

"Minha mãe sempre me dizia: Kamala, você pode ser a primeira a realizar muitas coisas. Certifique-se de não ser a última", costumava repetir Harris durante sua infrutífera campanha democrata durante as primárias, encerrada em dezembro.

Desde o começo da sua carreira, essa filha de imigrantes da Jamaica e da Índia foi uma pioneira.

Após dois mandatos como promotora de São Francisco (2004-2011), Harris foi eleita duas vezes promotora da Califórnia (2011-2017), tornando-se a primeira mulher, e também a primeira pessoa negra, a liderar os serviços judiciais do estado mais populoso do país.

Em janeiro de 2017, ela foi empossada no Senado, em Washington, tornando-se a primeira mulher com raízes no sul da Ásia a chegar a esse posto, e a segunda senadora negra na história americana.

- Sexista - Harris conhece bem o candidato democrata à Casa Branca, a quem às vezes chama simplesmente de "Joe" em público, porque era próxima ao seu filho, Beau, que faleceu de câncer, em 2015.

Porém, como candidata democrata à presidência, ela surpreendeu ao atacar Biden durante o primeiro debate do partido no ano passado, questionando suas posições sobre as políticas para acabar com a segregação racial na década de 1970.

Na ocasião, Harris contou de forma emocionada que, quando criança, ela viajava em um dos ônibus que levavam alunos negros para bairros brancos. O ácido debate com o ex-vice-presidente de Barack Obama a fez disparar nas pesquisas.

Embora tenha iniciado sua campanha com grande destaque diante de mais de 20.000 pessoas, rapidamente caiu nas pesquisas, sem conseguir definir sua candidatura.

Depois de finalmente desistir das primárias antes das primeiras votações em fevereiro, Harris anunciou seu apoio a Biden em março.

Alguns aliados do ex-vice-presidente de Barack Obama não a perdoaram por não ter retratado de forma suficiente suas críticas a ele, e alertaram contra uma possível colega de chapa extremamente "ambiciosa", avaliação considerada sexista pelos apoiadores de Harris.

Mas sua experiência nos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, além de uma personalidade que une um sorriso contagiante e a dureza de uma ex-promotora, finalmente ultrapassaram essas críticas.

- Passado controverso - Harris cresceu em Oakland, na progressista Califórnia da década de 1960, orgulhosa da luta dos seus pais pelos direitos civis: uma pesquisadora indiana de câncer de mama, agora falecida, e um professor jamaicano de economia.

Ela estudou na Howard University, fundada em Washington para receber estudantes afro-americanos segregados, e sempre lembra sobre sua filiação na irmandade de estudantes negras, a Alpha Kappa Alpha.

Desde agosto de 2014, é casada com Douglas Emhoff, advogado e pai de dois filhos. Para Harris, a família está em primeiro lugar: escolheu sua irmã Maya para organizar sua candidatura para as primárias.

Normalmente severo com seus oponentes, o presidente Donald Trump afirmou em julho que ela seria "uma boa escolha" para Biden.

O magnata republicano "não tem ideia de como lidar ou qualificar Kamala Harris", comunicou seu porta-voz, Ian Sams, quando ela era candidata. "Ele fica perplexo com mulheres fortes como ela".

No Senado, Harris era conhecida por seus interrogatórios, às vezes assustadores, durante audiências de grande tensão. Como candidata às primárias, ela também prometeu "liderar o ataque" contra Trump.

Mas seu passado como promotora também pesa contra Harris. Da Carolina do Sul a Michigan, eleitores negros e progressistas lamentam sua reputação de dureza. Eles questionam principalmente suas iniciativas como promotora ao punir severamente crimes menores que, de acordo com os críticos, afetaram bastante as minorias.

Ao se reunir com os eleitores, sua imagem calorosa contrasta com uma certa rigidez, às vezes mostrando falta de autenticidade.

"Alguns, principalmente os jovens negros, veem isso como parte do problema, não como solução", ressalta David Barker, professor de Ciência Política da American University, em Washington.

Resta saber se Kamala Harris será agora capaz de mobilizar este eleitorado potencialmente importante para alcançar, junto com Joe Biden, a Casa Branca.

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