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Candidata de oposição se esconde durante eleição contra ditador de Belarus

Svetlana Tikhanovskaya em campanha para a Presidência em Minsk, em Belarus - 31.jul.2020 - Sergei Gabon/AFP
Svetlana Tikhanovskaya em campanha para a Presidência em Minsk, em Belarus Imagem: 31.jul.2020 - Sergei Gabon/AFP
do UOL

Do UOL, em São Paulo

09/08/2020 19h47

Svetlana Tikhanovskaya, principal candidata de oposição na eleição presidencial de Belarus, se escondeu na noite de hoje, quando a população foi às urnas. Ela é o maior desafio para o ditador Alexander Lukashenko, que tem maioria dos votos na boca de urna e deve ser reeleito.

Sergey Tikhanovskiy, marido de Svetlana, está preso desde maio. Se a previsão se confirmar, Alexander Lukashenko será eleito para seu sexto mandado em Belarus; ele está no poder desde 1994 e é conhecido como "o último ditador da Europa".

Os membros da campanha de Svetlana afirmam que ela deixou seu apartamento por razões de segurança depois que a polícia deteve vários de seus funcionários; os críticos tratam a ação policial como uma tentativa de intimidar a opositora em uma eleição crucial para o país.

No entanto, os assessores informaram que ela permanecerá em Minsk, capital de Belarus, e não pretende fugir para o exterior. Porém, os filhos de Svetlana já estão fora do país e não devem retornar, já que receberam ameaças de que seriam colocados em um orfanato.

Conselheira da candidata, Veronika Tsepkalo já partiu de Belarus para Moscou, na Rússia —a informação foi confirmada à CNN norte-americana. O marido de Tsepkalo é ex-embaixador do país nos EUA, foi ameaçado de prisão e não teve permissão para se candidatar.

Ex-professora de inglês, Tikhanovskaya ganhou notoriedade ao liderar protestos contra o atual presidente. Seus comícios registraram grande participação de pessoas em cidades onde não costumam acontecer manifestações. O maior dos eventos de campanha, segundo a CNN, reuniu 63 mil pessoas na capital Minsk em julho e se transformou no maior protesto da década.

Pesquisas de boca de urna aprovadas pelo Estado mostraram Alexander Lukashenko vencendo com 79,7% dos votos, enquanto sua principal Tikhanouskaya teria recebido 6,8%.

A polícia de Belarus reprimiu protestos que eclodiram quando Lukashenko se aproximava de outra vitória eleitoral esmagadora no domingo, diante do maior desafio em anos para seu controle do poder.

Pelo menos 10 pessoas foram detidas em um local em Minsk, disse uma testemunha da Reuters, enquanto a mídia local relatava detenções na capital e em outras cidades. Os manifestantes aplaudiam e acionavam as buzinas de seus carros em solidariedade à oposição.

Ex-administrador de fazenda coletiva soviética, Lukashenko governa o país desde 1994, mas tem enfrentado uma onda de irritação pela forma com que tem lidado com a pandemia de Covid-19, pela situação econômica do país e pelo seu histórico de direitos humanos.

Observadores estrangeiros não consideram as eleições em Belarus livres e justas desde 1995, e Lukashenko alertou os manifestantes a não tomarem as ruas após a votação.

Veículos militares, soldados e policiais patrulhavam a capital, Minsk, aparentemente prontos para uma nova repressão. A internet e as redes sociais sofreram interrupções.

*Com informações da Reuters

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