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Mandetta: Sem reconhecer gravidade, país não interromperá mortes por covid

17.abr.2020 - O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta na transmissão do cargo para Nelson Teich  - Reprodução/TV Brasil
17.abr.2020 - O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta na transmissão do cargo para Nelson Teich Imagem: Reprodução/TV Brasil
do UOL

Do UOL, em São Paulo

08/08/2020 21h40

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, criticou hoje a atuação da pasta na condução da pandemia e afirmou que, sem reconhecer a gravidade da pandemia, o país não interromperá a "marcha fúnebre" com o elevado número de mortes diárias por covid-19.

Neste sábado (8), dia em que o Brasil atingiu a marca de 100 mil vítimas do coronavírus, Mandetta participou de debate na GloboNews com seu sucessor no cargo, o ex-ministro Nelson Teich, e o infectologista David Uip, que coordenou o centro de contingência em São Paulo.

O ex-ministro voltou a dizer, como quando estava no cargo, que a pandemia deve arrefecer no país em setembro e apontou que ainda faltou unidade e comunicação clara. "Não só nesse país imaginário, mas se no nosso país [essa conjunção] fosse tomada agora, se salvasse uma vida já valeria a pena. Mas poderia salvar milhares".

"Todo mundo tem que ter consciência da sua parte. Os negacionistas continuam tendo espaço em TV, a internet é um campo fértil", afirmou o ex-ministro.

Mandetta criticou a atuação do governo federal e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que agiu "como se entregasse o jogo no primeiro tempo". "Tinha uma pedra no meio do caminho que era o chefe da nação, minando o esforço suprapartidário, supraideológico e político que envolvia todas as unidades da federação", afirmou.

As falhas no combate ao coronavírus, para Mandetta, culminaram com a troca sucessiva da equipe do Ministério da Saúde.

"Trocar ministro é palatável. Mas mudar as equipes, os secretários, todo o segundo o terceiro escalão, que é quem tinha memória dessa luta. O presidente teve papel preponderante nesse número que a gente está vendo", afirmou.

O ex-ministro criticou a militarização da pasta, desde a saída de Teich chefiada pelo general Eduardo Pazuello. Mandetta afirmou que uma das primeiras medidas da nova gestão foi alterar a divulgação dos números da pandemia. "O apagão de dados de covid tirou credibilidade do SUS", afirmou. Em resposta, veículos de imprensa, entre eles o UOL, se uniram para coletar e divulgar diariamente os dados das secretarias estaduais de saúde.

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