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Com invasão a ministérios, protestos em Beirute deixam 238 feridos

Após explosão, protesto em Beirute é reprimido por forças de segurança

do UOL

Do UOL, em São Paulo*

08/08/2020 15h42

Protestos contra o governo que tomaram hoje as ruas de Beirute, capital do Líbano, deixaram 238 pessoas feridas, segundo a rede Al Jazeera. Desse total, ao menos 63 pessoas precisaram ser levadas a hospitais. Milhares de pessoas saíram às ruas na região central da capital libanesa pedindo por justiça para as vítimas da explosão no porto cidade na última terça-feira (4), que deixou ao menos 158 mortos e mais de 6.000 feridos e 300.000 desabrigados.

A tensão escalou nos protestos, segundo agências de notícias, que passaram a ser chamados de "dia de fúria". Manifestantes culpam a classe política pela explosão. Neste sábado, ocuparam prédios governamentais, como os ministérios das Relações Exteriores, Economia e de Energia, além da Associação Libanesa de Bancos. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes que tentavam invadir o parlamento.

Em discurso televisionado neste sábado, o primeiro-ministro libanês, Hassan Diab, anunciou que irá propor eleições parlamentares no país. O governante avaliou que apenas "eleições antecipadas podem permitir a saída da crise estrutural", acrescentando que está disposto a permanecer no poder "por dois meses", enquanto as forças políticas trabalham nesse sentido.

Pelo Twitter, a embaixada dos Estados Unidos em Beirute endossou as manifestações na capital libanesa: "O povo libanês sofreu muito e merece ter líderes que os ouçam e mudem o curso para responder a demandas populares por transparência e prestação de contas. Nós os apoiamos em seu direito de protestar pacificamente e encorajamos todos os envolvidos a evitar atos violentos".

Dezenas de manifestantes invadiram o Ministério das Relações Exteriores, onde queimaram uma fotografia do presidente Michel Aoun, representante para muitos de uma classe política que governou o Líbano por décadas e que dizem ser culpada pela profunda crise política e econômica. "Ficaremos aqui. Chamamos o povo libanês para ocupar todos os ministérios", disse um manifestante, com um megafone.

Cerca de 10.000 pessoas se reuniram na praça Martyrs, algumas arremessando pedras. A polícia lançou gás lacrimogêneo quando alguns manifestantes tentaram quebrar uma barreira que bloqueava a rua que leva ao Parlamento, disse um jornalista da Reuters.

A polícia confirmou que tiros e balas de borracha foram disparados. Não ficou imediatamente claro quem atirou. Um porta-voz da corporação informou que um policial morreu ao cair no poço de um elevador em um prédio próximo, após ser perseguido pelos manifestantes.

Os manifestantes disseram que os políticos deveriam ser enforcados e punidos pela negligência que, segundo eles, levou à gigantesca explosão de terça-feira que matou 158 pessoas e feriu outras 6.000. Os manifestantes entoavam "o povo quer a queda do regime", bordão popular durante a Primavera Árabe, em 2011: "Revolução. Revolução". E seguravam cartazes que diziam: "Saiam, vocês são todos assassinos".

*Com informações da Reuters e da AFP.

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