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Dólar sobe 3,72% na semana, a R$ 5,413, maior valor desde junho; Bolsa cai

do UOL

Do UOL, em São Paulo

07/08/2020 17h17

O dólar comercial emendou hoje (7) a terceira alta e fechou com valorização de 1,3%, cotado a R$ 5,413 na venda. É o maior valor em mais de um mês, desde o dia 30 de junho (R$ 5,44). Com o resultado, a moeda teve a segunda alta semanal seguida, de 3,72%.

Após duas altas seguidas, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, fechou em queda de 1,3%, a 102.775,55 pontos. Na semana, acumulou queda de 0,13%.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Tensão EUA X China

No cenário externo, investidores estavam atentos ao agravamento das tensões entre EUA e China, depois que o presidente americano, Donald Trump, anunciou proibição dos populares aplicativos chineses TikTok e WeChat.

Além disso, o Departamento do Trabalho norte-americano disse nesta sexta-feira que foram criadas 1,763 milhão de vagas de trabalho no mês passado, após um recorde de 4,791 milhão de novos empregos em junho. A expectativa de economistas consultados pela agência de notícias Reuters era de criação de 1,6 milhão de postos de trabalho.

"(O dado) veio acima do esperado nos Estados Unidos, e o dólar acaba se valorizando em relação às outras moedas", disse à Reuters Denilson Alencastro, economista-chefe da Geral Asset.

Mas, segundo ele, dados norte-americanos recentes sobre o emprego, como os números de pedidos semanais de auxílio-desemprego, apesar de terem superado expectativas de analistas, ainda mostram um grande impacto da pandemia no mercado de trabalho. "A perda de empregos ainda é bem considerável", comentou.

Ainda na pauta externa, as exportações chinesas em julho tiveram a maior alta do ano, enquanto algumas importações de matérias-primas atingiram máximas recordes.

Corte de juros

Enquanto isso, no Brasil, "uma das coisas que pesa é a questão dos juros", disse Alencastro. "Uma Selic a 2% é algo inédito, um nível bem mais baixo do que se oferecia, enquanto ainda há incerteza sobre uma recuperação e como vai evoluir a situação do vírus."

Na quarta-feira, o Banco Central cortou a taxa básica de juros em 0,25 ponto, como esperado por agentes do mercado, chegando à nova mínima histórica de 2% ao ano. O BC também manteve a porta aberta para novos ajustes na taxa de juros à frente, embora tenha pontuado que, se vierem, eles serão ainda mais graduais e dependerão da situação das contas públicas.

A taxa de juros mais baixa é apontada como um dos fatores para a disparada do dólar em 2020. Com juros menores, investidores tendem a buscar outros países, com taxas mais atrativas, para aplicar seu dinheiro.

Na véspera, o Senado aprovou projeto que, entre outras medidas, limita os juros para o crédito rotativo do cartão de crédito e todas as demais modalidades de crédito por meio de cartões de crédito e da linha de crédito do cheque especial a 30% ao ano durante o estado de calamidade pública.

Para analistas do BTG Pactual, "sem dúvida a notícia é ruim, mas o desfecho poderia ter sido ainda pior" se a decisão fosse por tempo indeterminado. O texto segue para a Câmara dos Deputados e a equipe do BTG disse que o 'feedback' é de que a probabilidade de aprovação é bem menor, segundo nota a clientes.

*Com Reuters

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