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Navios humanitários se unem para retomar resgate de migrantes no Mediterrâneo

06/08/2020 14h34

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) e a ONG alemã Sea Watch anunciaram nesta quinta-feira (6) o lançamento iminente de uma missão conjunta para resgatar migrantes no Mediterrâneo, onde nenhum navio humanitário opera desde o início de julho.

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) e a ONG alemã Sea Watch anunciaram nesta quinta-feira (6) o lançamento iminente de uma missão conjunta para resgatar migrantes no Mediterrâneo, onde nenhum navio humanitário opera desde o início de julho.

As duas organizações devem embarcar em um novo navio, o Sea-Watch 4, atualmente atracado na Espanha, no porto de Borriana. "Esperamos poder deixar a Espanha por volta do dia 10 ou em meados de agosto", disse Hassiba Hadj Sahraoui, responsável por questões humanitárias na MSF, que fornecerá uma equipe médica para complementar a equipe do Sea Watch.

A missão é "essencial" porque "atualmente não há navios de ONGs no mar", lembrou. O último navio a retornar do Mediterrâneo central, o Ocean Viking - fretado pela ONG SOS Mediterrâneo - desembarcou na Sicília no início de julho com 180 migrantes, antes de ser imobilizado pelas autoridades italianas por "razões técnicas".

Antes dessa última missão, a MSF havia trabalhado por quatro anos com a SOS Mediterrâneo, período durante o qual as duas ONGs salvaram cerca de 30.000 pessoas que fugiam da Líbia. Quando chegam a este país mergulhado no caos e última etapa antes da Europa, os migrantes caem nas mãos de traficantes e milícias que agem com total impunidade.

Pandemia

Mas a crise sanitária causada pela Covid-19 marcou a separação entre as duas organizações humanitárias em abril. Movido pelo "imperativo humanitário", a MSF queria continuar os resgates apesar do fechamento dos portos italianos e malteses para migrantes, enquanto a SOS Mediterrâneo estimou na época que as condições de segurança não eram suficientes.

Nova parceira da MSF, a organização Sea Watch ficou conhecida pela atuação de sua ex-capitã do Sea Watch 3, Carola Rackete, que em junho de 2019 atracou à força na ilha de Lampedusa para desembarcar cerca de quarenta migrantes, apesar da proibição emitida pelas autoridades italianas.

Tal decisão "sempre cabe ao capitão", mas um cenário semelhante a bordo do Sea-Watch 4 "não é excluído", confidenciou Hadj Sahraoui, enquanto o Ocean Viking teve que esperar 11 dias para encontrar um porto de desembarque em julho, o que causou grandes tensões no navio. Para a MSF, "a segurança das pessoas a bordo é a prioridade".

Navios imobilizados por autoridades italianas

A retomada dos resgates em junho causou novas tensões entre a Itália e as ONGs, que denunciam um "assédio" marítimo. Além do Ocean Viking, o Sea-Watch 3 e o Alan Kurdi, pertencentes à organização alemã Sea Eye, estão atualmente imobilizados pelas autoridades.

"Apesar de seus esforços para nos impedir, não interromperemos as operações de socorro", disse Philipp Hahn, chefe de missão do Sea-Watch 4, em comunicado conjunto com MSF. O novo navio, comprado com o apoio financeiro de uma aliança de cidadãos, United 4 Rescue, fundada pela Igreja Protestante alemã, "é a resposta categórica da sociedade civil à política racista da UE, que prefere deixar as pessoas afogar-se em vez de chegar às costas da Europa", afirmou.

O ano de 2020 tem sido marcado por um aumento de embarcações no Mediterrâneo central, a rota migratória mais mortífera do mundo, de acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Entre o início de janeiro e o final de julho, as tentativas de travessia da Líbia aumentaram 91%, em comparação com o mesmo período do ano passado, representando 14.481 pessoas. "As saídas explodiram durante a crise da saúde, apesar de não haver ONGs no Mediterrâneo central", observou Vincent Cochetel, enviado do ACNUR para a região.

Naufrágio na Mauritânia

Cerca de 40 pessoas estão desaparecidas depois que uma embarcação com migrantes a bordo naufragou nesta quinta-feira na costa da Mauritânia, disse um funcionário do Escritório das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR). Em um tuíte, o enviado especial da agência para o Mediterrâneo central, Vincent Cochetel, disse temer que eles estejam mortos e que uma pessoa da Guiné conseguiu sobreviver.

"Todos morreram, acredito. Sou o único sobrevivente", declarou o náufrago em seu leito do hospital na Mauritânia, explicou à agência AFP uma fonte de segurança mauritana que pediu anonimato. O funcionário de segurança disse que o naufrágio não ocorreu em águas mauritanas.

De acordo com o sobrevivente, o grupo tentou viajar de Marrocos para as Ilhas Canárias da Espanha. Depois que os motores falharam, os passageiros supostamente saltaram em alto mar.

(Com informações da AFP)

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