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Violentas explosões no porto de Beirute deixam 73 mortos e 3.700 feridos

05/08/2020 00h03

Beirute, 5 Ago 2020 (AFP) - Duas violentas explosões registradas no porto de Beirute nesta terça-feira (4) deixaram ao menos 73 mortos e 3.700 feridos, segundo um balanço atualizado do ministério da Saúde libanês.

"Foi como uma bomba atômica. Já vi de tudo [na vida], mas nada igual a isso", declarou à AFP Makruhie Yerganian, um professor aposentado que vive há mais de 60 anos na região portuária.

O primeiro-ministro Hasan Diab afirmou que as explosões foram causadas pela detonação de 2.750 toneladas de nitrato de amônia. A substância é usada na composição de certos tipos de fertilizantes, mas também na criação de explosivos.

Antes, o diretor da Segurança Geral, Abbas Ibrahim, havia dito que as explosões poderiam ter sido causadas por "materiais altamente explosivos confiscados há anos", mas acrescentou que uma investigação determinará a "natureza exata do incidente".

"É inadmissível que um carregamento de nitrato de amônia, estimado em 2.750 toneladas, esteja há seis anos em um armazém, sem medidas preventivas. Isso é inaceitável e não podemos permanecer em silêncio sobre o tema", declarou o primeiro-ministro durante a reunião do Conselho Superior de Defesa.

Diab prometeu que os responsáveis deverão "prestar contas" e pediu ajuda aos "países amigos" do Líbano.

- Hospitais saturados -Por volta das 18h00 locais (12h00 horário de Brasília), uma primeira explosão foi ouvida em Beirute, seguida de outra muito mais potente. Os edifícios tremeram e os vidros das janelas quebraram em um raio de vários quilômetros. A onda de choque foi sentida até na ilha de Chipre, a cerca de 200 km de distância.

À noite, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) afirmou que seus sensores registraram a explosão como um terremoto de 3.3 pontos na escala Richter.

De acordo com um o último balanço do Ministério da Saúde libanês, 73 pessoas morreram e 3.700 ficaram feridas na tragédia. Os hospitais da capital, que já lidam com a pandemia do coronavírus, estão saturados.

A ONU afirmou que vários capacetes azuis ficaram feridos a bordo de um barco atingido pelas explosões. Membros da embaixada da Alemanha também ficaram feridos, segundo Berlim.

Nas ruas de Beirute, soldados evacuaram os habitantes atordoados, alguns ensanguentados, com camisas atadas ao redor da cabeça para conter as feridas.

Em uma das entradas do porto de Beirute, uma jovem corria gritando o nome do irmão desaparecido.

Vários carros e ônibus foram abandonados no meio das estradas. Diversas lojas nas cercanias do porto ficaram destruídas.

- "Catástrofe" -"É uma catástrofe. Existem corpos no chão. Ambulâncias estão pegando os corpos", disse à AFP um soldado próximo ao porto. Um homem chorava enquanto perguntava a um militar pelo paradeiro do filho, que estava no porto no momento das explosões.

Várias horas após a tragédia, helicópteros seguiam despejando água do mar para tentar conter as chamas.

As forças de segurança isolaram a região portuária e só estão autorizados a entrar os serviços de defesa civil, as ambulâncias e os bombeiros.

Fotos publicadas nas redes sociais mostram danos no interior do terminal do aeroporto de Beirute, situado a nove quilômetros de distância do local das explosões.

Depois da tragédia, o Conselho Superior de Defesa declarou Beirute "cidade sinistrada" e o presidente Michel Aoun lamentou "uma grande catástrofe". O primeiro-ministro Hasan Diab decretou para esta quarta-feira um dia de luto nacional.

- Respaldo do estrangeiro -Um testemunho afirmou que a explosão foi "mais forte que a do assassinato de Rafik Hariri", alvo de um atentado espetacular com um furgão repleto de explosivos que atingiu o comboio do então primeiro-ministro em 14 de fevereiro de 2005.

O mandatário e outras 21 pessoas morreram no ataque e outras 200 ficaram feridas. A explosão causou chamas de vários metros de altura e quebrou os vidros das janelas de edifícios em um raio de meio quilômetro.

A tragédia desta terça-feira se soma à já difícil situação do Líbano, que atravessa a pior crise econômica em décadas, marcada por uma depreciação cambial sem precedentes, hiperinflação e demissões em massa que alimentam a agitação social há vários meses.

No estrangeiro, uma onda de solidariedade surgiu. A França anuncio o envio de um destacamento de segurança civil e "várias toneladas de material sanitário" a Beirute, assim como a chegada de médicos "o quanto antes".

Canadá, Reino Unido e Estados Unidos também se declararam dispostos a ajudar o povo libanês.

Apesar de estar tecnicamente em guerra com o Líbano, Israel ofereceu "ajuda humanitária e médica ao governo libanês", em meio a novas tensões entre os dois Estados vizinhos.

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