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Os principais acontecimentos no Líbano desde 2005

05/08/2020 10h53

Beirute, 5 Ago 2020 (AFP) - O Líbano, de luto por duas explosões mortais no porto de Beirute, atravessa a pior crise econômica em décadas, com disputas políticas e protestos sociais sem precedentes. Estes são os principais eventos neste país do Oriente Médio desde 2005:

- Assassinato de Rafic Hariri -Em 14 de fevereiro de 2005, o ex-primeiro-ministro Rafic Hariri, na oposição, foi assassinado em um ataque em Beirute que deixou um total de 22 mortos e mais de 220 feridos, realizado por um suicida que explodiu uma caminhonete na passagem de um comboio blindado.

A oposição atribuiu a responsabilidade pelo ataque "aos poderes libanês e sírio" e exigiu a retirada de tropas deste país vizinho.

Em 26 de abril, os últimos soldados sírios deixaram o Líbano após 29 anos de ocupação, sob pressão das ruas, da oposição e da comunidade internacional. As tropas sírias haviam chegado a 40.000 homens.

Um Tribunal Especial para o Líbano (TSL) foi criado para investigar o assassinato de Hariri e outras personalidades opostas a Damasco.

Apoiado pela ONU e sediado em Haia, este tribunal deve anunciar na sexta-feira seu veredicto no julgamento de quatro homens, todos supostos membros do movimento xiita Hezbollah, acusados de terem participado do assassinato.

O Hezbollah, que negou qualquer responsabilidade, não quis entregar os suspeitos, apesar de vários mandados de prisão emitidos pelo TSL.

- Conflito Israel-Hezbollah -Em 12 de julho de 2006, teve início um conflito entre Israel e o Hezbollah, após a captura de dois soldados israelenses.

Em 34 dias, a guerra deixou quase 1.400 mortos, 1.200 do lado libanês, principalmente civis.

- Hezbollah no governo -Em maio de 2008, houve confrontos entre o Hezbollah e seus aliados com apoiadores do governo anti-Síria. O saldo foi de 100 mortos em uma semana.

Em julho, o país adotou um governo de unidade, no qual o Hezbollah e seus aliados tinham direito de veto.

Em junho de 2009, o lado anti-Síria venceu as eleições legislativas e Saad Hariri, filho de Rafic, foi nomeado primeiro-ministro. Ele conseguiu formar seu governo em novembro, depois de meses de bloqueio com o Hezbollah.

Em janeiro de 2011, a coalizão entrou em colapso. Em junho, um novo governo foi formado, dominado pelo Hezbollah e seus aliados.

- Envolvido no conflito sírio -No final de abril de 2013, o chefe do Hezbollah, Hassan Nasrallah, reconheceu a participação de suas tropas ao lado das do governo de Damasco. O movimento, que recebe ajuda militar e financeira do Irã, enviou milhares de combatentes para ajudar o regime de Bashar Al-Assad.

Vários ataques sangrentos abalaram as fortalezas do Hezbollah no Líbano.

- Hezbollah fortalecido -No final de outubro de 2016, o ex-general Michel Aoun se tornou presidente graças ao apoio, entre outros, do Hezbollah. Saad Hariri voltou a ser primeiro-ministro.

Em maio de 2018, o Hezbollah e seus aliados dominaram as legislativas. O partido de Saad Hariri perdeu um terço de seus assentos, mas, apesar disso, foi encarregado de formar um novo governo.

As negociações se arrastaram e Saad Hariri culpou o Hezbollah.

O novo governo foi anunciado no final de janeiro de 2019.

- Protestos inéditos -No final de setembro, centenas de manifestantes saíram às ruas para denunciar a situação econômica em Beirute, em meio a temores sobre a estabilidade da libra libanesa.

Em 17 de outubro, a raiva popular explodiu após o anúncio de um novo imposto para chamadas pelo WhatsApp. O cancelamento rápido da medida não impediu que o protesto se espalhasse por todo o país.

A mobilização culminou com centenas de milhares de manifestantes exigindo a renovação de toda a classe política, que quase não mudou em décadas e é acusada de corrupção.

- Crise econômica - Em 19 de dezembro, o acadêmico Hassan Diab foi nomeado primeiro-ministro em substituição a Saad Hariri, forçado a renunciar no final de outubro.

Em 21 de janeiro de 2020, o Líbano adotou um novo governo, composto pelo Hezbollah e seus aliados.

No final de abril, o país, em default, adotou um plano de reativação e prometeu reformas.

Mas as negociações, iniciadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para obter ajuda crucial para a população e restaurar a confiança dos credores, estão paralisadas.

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