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China e América Latina: companheiros no combate à epidemia da covid-19

do UOL

Yang Wanming*

Especial para o UOL

05/08/2020 04h00

Há exatamente 60 anos, a República Popular da China estabeleceu relações diplomáticas com o primeiro país latino-americano, dando início a uma jornada marcada por respeito mútuo e igualdade entre a China e América Latina. Em seis décadas, a parceria cresceu consideravelmente em todos os setores e criou um exemplo de solidariedade e cooperação entre nações em desenvolvimento.

Essa relação intensificou-se ainda mais diante dos desafios impostos pela pandemia da covid-19. Com ações concretas, os dois lados demonstram que a China e a América Latina formam uma comunidade de futuro compartilhado.

As comunicações mantém-se estreitas graças à tecnologia de internet. Desde o início da crise sanitária mundial, o presidente chinês Xi Jinping conversou, por telefone, com o presidente brasileiro e outros sete chefes de Estado da região, além de trocar 20 correspondências com autoridades de vários países latino-americanos. As ações viabilizaram importantes consensos para conduzir a parceria bilateral no enfrentamento dos desafios da pandemia.

Duas semanas atrás, numa videoconferência especial entre os ministros de Relações Exteriores da China e de 13 países da América Latina e Caribe, o conselheiro de Estado e chanceler chinês, Wang Yi, anunciou que a China está disposta a estreitar a comunicação política e a coordenação com os países da região, reforçando as parcerias como o envio de especialistas médicos conforme as necessidades e a pesquisa conjunta de vacinas. Afirmou também que o governo chinês dará apoio a projetos de saúde pública na América Latina através do programa bilateral com empréstimos especiais para a infraestrutura, além de trabalhar com a FAO no intuito de liberar uma verba emergencial do Programa de Cooperação Sul-Sul China-FAO para lidar com a questão de segurança alimentar.

As cooperações são baseadas na amizade e solidariedade. A China sempre forneceu ajuda conforme sua capacidade e de acordo com as demandas de cada país. Doamos mais de 27 milhões de itens como máscaras, roupas de proteção e kits de testagem a 30 países latino-americanos, assim como 1.100 respiradores. Organizamos mais de 30 webinários para a troca de experiência e auxiliamos na aquisição de materiais de saúde na China.

No caso do Brasil, o primeiro lote de doação de materiais de saúde já foi colocado em uso e um segundo carregamento, avaliado em mais de R$ 1,5 milhão, também já chegou e será destinado a comunidades indígenas na Amazônia para reforçar sua capacidade de combate à covid-19.

Províncias, municípios e empresas da China também doaram ao Brasil suprimentos em valor superior a R$ 40 milhões. A parte chinesa organizou mais de dez videoconferências de intercâmbio entre equipes médicas, além de facilitar a compra de 1.200 toneladas de insumos e equipamentos transportados em 39 voos fretados pelo governo brasileiro. Atualmente, várias instituições de pesquisa biofarmacêutica dos dois países estão trabalhando no desenvolvimento de vacinas.

Novas oportunidades devem ser identificadas para depois da pandemia. Os dois lados estão em frequentes contatos para alinhar as estratégias, principalmente nos aspectos de enfrentamento da situação epidêmica, estabilização da economia e garantia do padrão de vida da população.

O comércio bilateral conheceu uma recuperação em junho, com um aumento de 17,9% sobre o mês anterior. A China recorrerá a todos os meios, sejam virtuais ou presenciais, para promover o comércio e os investimentos com a América Latina, aumentar o fornecimento de produtos de saúde e de primeira necessidade e ampliar a compra de itens de agronegócios que atendem os padrões de qualidade e exigências sanitárias e fitossanitárias.

No início de novembro, a 3ª edição da Feira Internacional de Importação da China espera a participação de mais exportadores latino-americanos. Além disso, a China está disposta a aprofundar, no âmbito da iniciativa Cinturão e Rota, a cooperação com os países da região em áreas tradicionais, como infraestrutura, energia e agricultura, e expandir a parceria em novos setores como saúde pública, telemedicina, educação online, economia digital, comércio eletrônico e 5G, com o intuito de trazer mais benefícios aos povos.

"Creio numa corrente luminosa / De fraternidade universal / e solidariedade humana", diz a poetisa Cora Coralina. É essa a corrente que liga a China e os países latino-americanos. Juntos vamos criar oportunidades perante os desafios e construir um futuro ainda mais promissor.

Yang Wanming é embaixador da China no Brasil.

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