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Justiça da Colômbia orden captura de ex-presidente Álvaro Uribe

04/08/2020 18h33

Bogotá, 4 Ago 2020 (AFP) - A Suprema Corte colombiana determinou nesta terça-feira (4) a captura do ex-presidente e senador Álvaro Uribe, o político mais influente da Colômbia deste século, no âmbito de um processo contra ele por manipulação de testemunhas contra um opositor, informou o ex-chefe de Estado.

"A privação da minha liberdade me causa profunda tristeza por minha esposa, por minha família e pelos colombianos que ainda acreditam que fiz algo bom pela Pátria", escreveu o ex-presidente (2002-2010) em sua conta no Twitter.

Embora a corte não tenha se pronunciado sobre a decisão inédita contra um ex-governante do país, a imprensa local reportou em uníssono que Uribe cumprirá prisão domiciliar preventiva e não deverá ser enviado para uma prisão.

O caso era analisado nesta terça-feira a portas fechadas pelos altos magistrados que investigam o líder do partido no poder e mentor do atual presidente, Iván Duque.

A Suprema Corte decidiu ordenar a detenção de Uribe, enquanto decide mais adiante se o chama a juízo na qualidade de legislador, por manipular testemunhas. Como parlamentar, ele não tem foro privilegiado, mas sim como o privilégio de só poder ser investigado pelo Supremo.

O ex-presidente, de 68 anos, que sempre alegou inocência e conta com um apoio popular sólido após sua política de linha dura contra as guerrilhas de esquerda, poderia responder por propina e fraude processual, crimes que são punidos com oito anos de prisão, em média.

- Guinada inesperada -Uribe, que havia sido interrogado pelos magistrados em outubro, terminou envolvido em uma guinada inesperada da justiça.

Em 2012, ele apresentou uma denúncia contra o senador de esquerda Iván Cepeda por suposto complô contra ele, apoiado em testemunhos falsos.

O líder político afirma que Cepeda - um de seus maiores adversários políticos e testemunha no processo que corre contra ele - contatou ex-paramilitares presos para envolvê-lo em atividades criminosas de grupos de extrema direita que combateram sem trégua as guerrilhas esquerdistas.

Mas a corte se absteve de denunciar Cepeda e, ao contrário, decidiu abrir em 2018 uma investigação contra o ex-presidente sob a mesma suspeita: manipular testemunhas contra seu opositor.

"A lição que esta decisão nos dá hoje, que esperamos conhecer (...) em todos os seus detalhes (...), é que não há indivíduos, não há pessoas que estejam acima da justiça e da lei na Colômbia, por mais poderosas e influentes que sejam", reagiu Cepeda em mensagem à imprensa.

"Convidamos todos os cidadãos a encarar esta situação com total serenidade", acrescentou, enfatizando que o ex-presidente "terá todas as ferramentas, os recursos, procedimentos que existem para garantir seu direito à justiça", caso seja chamado a juízo.

Além deste expediente, Uribe está vinculado com mais investigações por supostos crimes relacionados com o longo conflito civil colombiano.

O partido de Uribe, o Centro Democrático, realiza uma intensa campanha midiática para defender a "respeitabilidade" de seu líder.

Após dizimar militarmente as Farc, ex-guerrilha que assinou a paz em 2016, Uribe se opôs a este acordo por considerá-lo indulgente demais com responsáveis por crimes atrozes.

- Em sua defesa -Com a decisão da corte, a Colômbia passa a engrossar o expediente de ex-presidentes populares latino-americanos que terminaram perante a justiça.

Ocorreu com Lula no Brasil, Cristina Kirchner na Argentina, Rafael Correa no Equador, Alberto Fujimori no Peru e Ricardo Martinelli no Panamá.

Ofuscado pela crise desatada pela pandemia do novo coronavírus e às vésperas de completar dois anos no poder, o presidente Dique defendeu a todo custo o ex-chefe de Estado.

"Sou um crente, tenho sido um crente e sempre serei um crente da inocência de Álvaro Uribe Vélez", repete Duque em entrevistas à imprensa.

Nesta terça, Duque voltou a apoiar o ex-presidente e defender sua inocência.

A decisão contra o líder da direita colombiana promete provocar um terremoto político no país.

Simpatizantes do governo consideram injusto que Uribe acabe preso, enquanto seus inimigos, os ex-líderes as Farc, respondem em liberdade perante a justiça de paz criada para punir os crimes mais atrozes cometidos durante o conflito colombiano.

No entanto, críticos externos como José Miguel Vivanco, da ONG Human Rigths Watch, saudaram a decisão.

"Cumprimento a Corte Suprema por agir com responsabilidade ao ordenar a prisão domiciliar de Uribe. A Corte demonstra que todos - até os mais poderosos - são iguais perante a lei. É preciso respeitar a independência judicial", publicou no Twitter.

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