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Bolsonaro já autorizou discussões para estender auxílio emergencial de novo

Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes, em frente ao Palácio da Alvorada -
Presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes, em frente ao Palácio da Alvorada
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

do UOL

Do UOL, em Brasília

04/08/2020 14h56

Que o presidente Jair Bolsonaro já encampou o personagem de candidato à reeleição está cada vez mais claro. Agora, além de criar o Renda Brasil - em substituição ao Bolsa Família - para ter um programa social para chamar de seu, o presidente autorizou e ficou animado com a possibilidade de extensão do auxílio emergencial até o fim do ano.

De acordo com um ministro palaciano, a ideia foi vista de forma positiva e está de fato sendo estudada. A avaliação é de que há um potencial político importantíssimo que o presidente pode angariar com a extensão do benefício.

Da mesma forma que deu aval para que Paulo Guedes tente convencer o congresso da necessidade da "nova CPMF", o presidente quer agora que o ministro da Economia encontre meios de tornar a medida uma espécie de política de governo.

O que mostra que antes de mais nada a medida é uma jogada política e não econômica.

Até porque ela terá uma consequência grave: o problema do rombo no caixa, que virá caso a medida seja ampliada. O programa tem um custo mensal aproximado de R$ 50 bilhões. Uma eventual prorrogação com as mesmas regras até o fim do ano faria o custo total chegar a R$ 450 bilhões.

O governo considera reduzir o valor do benefício, mas ai precisaria de nova aprovação do instrumento no Congresso. Na primeira extensão que fez do benefício em junho, o governo optou por mais duas parcelas de R$ 600 justamente para evitar mais uma negociação com o Parlamento.

E os parlamentares - que brigaram desde o início para aumentar o valor proposto inicialmente pelo governo - devem mostrar resistência a uma redução, já que em ano eleitoral ninguém quer o carimbo de que "votou contra os mais necessitados".

Ontem, em entrevista ao programa Roda Viva, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse que será preciso analisar a proposta que o governo vai encaminhar. Ele lembrou que chegou a falar para Bolsonaro, quando o presidente estava decidindo a última prorrogação, de que o ideal era o debate estar no Congresso "para todos poderem fazer as contas".

"Foi uma decisão correta, mas o impacto fiscal é muito grande, e o Brasil não suporta continuar o mesmo valor", disse o presidente da Câmara.

Discurso mutante

Antes de anunciar a extensão do benefício por mais dois meses, Bolsonaro e Guedes já diziam que a União não aguentaria mais duas parcelas de R$ 600. A decisão, no entanto, foi exatamente essa. E anunciada em evento no Palácio do Planalto justamente para que o presidente pudesse explorar a agenda positiva.

Agora, enquanto Guedes ainda tem que travar no Congresso a batalha da reforma tributária, o presidente quer que os estudos sejam feitos para que ele possa aproveitar a pauta positiva nas viagens que pretende fazer pelo país.

Na semana passada, após viagens pelo Nordeste e pelo Sul, o presidente disse que fará pelo menos uma viagem por semana.

No nordeste, o presidente escancarou o seu lado candidato ao montar em uma égua com chapéu de couro na cabeça. E foi justamente o auxílio emergencial que o tornou mais popular na região, antes dominada pelo rival PT, de Luiz Inácio Lula da Silva.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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