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Weintraub terá entre suas funções avaliar empréstimos do Banco Mundial

O ex-ministro Abraham Weintraub, que está nos Estados Unidos - Reprodução/Instagram
O ex-ministro Abraham Weintraub, que está nos Estados Unidos Imagem: Reprodução/Instagram
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

do UOL

Do UOL, em Brasília

31/07/2020 16h51

Depois de uma passagem tumultuada e cheia de polêmicas no Ministério da Educação, Abraham Weintraub terá agora o desafio de buscar consensos enquanto ocupar o cargo de diretor-executivo do Conselho do Banco Mundial.

Os diretores-executivos do Banco lidam com as conduções dos negócios do dia a dia da instituição, espécie de responsáveis pela condução das operações gerais do Banco.

Além disso, está entre as funções de Weintraub avaliar e decidir a respeito das propostas de empréstimo e crédito do banco.

Ontem à noite, o Banco Mundial divulgou um comunicado confirmando que Weintraub foi eleito para o cargo. Ele representará o grupo de países (conhecido como constituency) que inclui, além de Brasil: Colômbia, República Dominicana, Equador, Haiti, Panamá, Filipinas, Suriname e Trinidad e Tobago.

A instituição fez questão de ressaltar no comunicado que o cargo de Weintraub não o torna funcionário do banco. "Diretores Executivos não são funcionários do Banco Mundial. Eles são nomeados ou eleitos pelos representantes dos nossos acionistas", diz.

Salário em alta

E enquanto muitos brasileiros têm o salário reduzido por conta da pandemia, a mudança de Weintraub foi extremamente positivo do ponto de vista financeiro. Isso porque ele trocou um salário de ministro, de R$ 31 mil, por um pago em dólar. O salário anual para o cargo é de US$ 258.570, cerca de R$ 115 mil mensais.

Ele fica no cargo pelo menos até outubro, quando poderá ser reconduzido.

Weintraub não acumulará o salário de ministro já que não teve direito a chamada quarentena, valor pago a servidores públicos que saem do governo e possuem cargos que podem representar conflito de interesses.

O ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, por exemplo, vai receber até outubro os R$ 31 mensais do governo. O caso ia ser reanalisado, mas o colegiado acabou adiando a discussão do tema.

No caso de Weintraub, a Comissão de Ética da Presidência não concedeu o benefício já que ele assumiu uma função de interesse público em seguida.

Sem apartamento funcional

Quase um mês depois, somente no dia 16 de julho, o Diário Oficial da União trouxe a revogação da permissão do uso do apartamento funcional. O ex-ministro utilizava um apartamento na Asa Sul, em Brasília, desde julho de 2019.

Saída tumultuada

Weintraub deixou o país antes mesmo de ser exonerado oficialmente.

Até na sua saída do Brasil, o ex-ministro provocou polêmica. Utilizou o passaporte ainda de ministro e tentou dar um caráter de "exílio" a sua saída.

O MRE (Ministério das Relações Exteriores) confirmou que pediu visto de entrada à Embaixada dos Estados Unidos para o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub utilizando dados de seu passaporte diplomático.

O presidente Jair Bolsonaro teve que retificar informações no Diário Oficial por conta da saída tumultuada do ex-ministro do país.

Família ainda gera desgaste

Agora, no Planalto, auxiliares diretos do presidente aguardam definir a saída do irmão do ex-ministro, Arthur Weintraub. Ele ainda ocupa o cargo de assessor especial, mas tem causado problemas ao governo, na avaliação de assessores palacianos.

A saída de Weintraub foi considerada um alívio para ministros, principalmente os da chamada ala militar, que viam na corrente ideológica do ex-ministro uma fonte de problemas para o presidente e para o governo.

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