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Tribunal dos EUA divulga troca de emails entre Jeffrey Epstein e ex-companheira

Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell em foto de 2005 - Patrick McMullan via Getty Image
Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell em foto de 2005 Imagem: Patrick McMullan via Getty Image

31/07/2020 15h24

Um tribunal de Nova York (EUA) divulgou emails em que o falecido financista Jeffrey Epstein tenta acalmar a britânica Ghislaine Maxwell, sua ex-companheira, acusada de tráfico sexual de adolescentes, dizendo à mesma que ela não havia feito "nada de errado".

As mensagens foram trocadas em 2015, embora os advogados de Ghislaine tenham declarado no começo do mês que os dois não tinham contato há mais de uma década.

"Você não fez nada de errado e sugiro que comece a agir desta forma", escreveu Epstein em janeiro de 2015, quando as acusações contra o financista se multiplicavam.

"Saia com a cabeça erguida, e não como uma condenada que está fugindo. Vá a festas, lide com isso", acrescentou Epstein, declarado morto por suicídio em agosto de 2019, enquanto esperava seu julgamento após ser acusado de tráfico sexual.

Filha do falecido magnata da imprensa Robert Maxwell, Ghislaine, 58, declarou-se inocente de tráfico sexual de menores para Epstein, com quem teve um relacionamento na década de 1990. Os promotores a acusam de ter recrutado adolescentes de 14 anos para satisfazer os desejos de Epstein. As vítimas dizem que também tiveram que agradar a alguns dos sócios de Epstein.

Ghislaine Maxwell, que também é acusada de ter participado dos abusos, enfrenta seis acusações, incluindo perjúrio. Se for considerada culpada, poderá passar até 35 anos na prisão. Ela teve seu pedido de liberdade sob fiança negado e está presa no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, em Nova York, à espera do julgamento, que deve começar em julho de 2021.

Os emails estavam entre as dezenas de documentos revelados ontem à noite, ligados a uma ação por difamação apresentada por Virginia Giuffre — uma das mulheres que acusaram Epstein — contra Ghislaine em 2015. Os advogados de Ghislaine tentaram repetidamente bloquear a divulgação destas conversas, alegando que as mesmas poderiam prejudicar a defesa de sua cliente.

Em um email de 24 de janeiro de 2015, Ghislaine parece tentar se distanciar de qualquer relação íntima com Epstein, então administrador de fundos de investimento. "Agradeceria que Shelley aparecesse e dissesse que ela era sua namorada. Acho que foi do final de 1999 a 2002", escreve Ghislaine para Epstein. Não está claro quem é Shelley.

'Escrava sexual'

Em 21 de janeiro de 2015, Epstein enviou a Ghislaine o que parece ser uma declaração que deveria usar em sua defesa. "Fui alvo de mentiras, insinuações, calúnias, difamações, fofocas e perseguições", diz.

"Ghislaine Maxwell me trouxe para a indústria do tráfico sexual. Foi ela que abusou de mim regularmente. Foi ela que me recrutou, me treinou como escrava sexual, abusou de mim fisica e mentalmente", assinalou Virginia Giuffre.

"É ela quem, acredito, do fundo do meu coração, deve comparecer, e se deve fazer justiça com ela mais do que com qualquer outra pessoa. Sendo mulher, é repugnante", afirmou Virginia.

Ghislaine negou as acusações durante seu depoimento no caso em 2016 e chamou Virginia de mentirosa. Esta última afirma que teve relações sexuais com o príncipe Andrew, filho da rainha Elizabeth 2ª, quando tinha 17 anos, após ser recrutada por Epstein. O príncipe nega a acusação.

Virginia também afirmou ao depor que teve relações sexuais com o advogado americano Alan Dershowitz, embora o mesmo o tenha negado repetidamente. Segundo ela, Ghislaine a encarregou de ter relações sexuais com o ex-governador do estado do Novo México Bill Richardson, o ex-senador George Mitchell e o recrutador de modelos francês Jean-Luc Brunel, entre outros.

Todos negaram as acusações. Nos documentos divulgados, também aparece o nome de outros homens.

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