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Países castigados pela covid-19, França, Espanha e Itália registram recessão recorde

Itália registra queda de 12,4% em seu Produto Interno Bruto (PIB) no 2º trimestre - REUTERS/Yara Nardi
Itália registra queda de 12,4% em seu Produto Interno Bruto (PIB) no 2º trimestre Imagem: REUTERS/Yara Nardi

31/07/2020 07h36Atualizada em 31/07/2020 12h11

Eles foram os países mais castigados pela pandemia de covid-19 na União Europeia (UE) e agora enfrentam duras consequências da crise sanitária na economia. França, Espanha e Itália anunciaram hoje que enfrentam uma recessão sem precedentes, com quedas recordes em seus Produtos Internos Brutos (PIB).

A França registrou uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 13,8% no segundo trimestre deste ano, o pior resultado desde 1949. Porém os números se mostram melhores do que as projeções dos economistas: o Instituto Nacional de Estatísticas (Insee) previa uma retração de 17% da economia francesa, por causa do impacto das medidas de restrição adotadas para enfrentar a epidemia de coronavírus.

"A evolução negativa do PIB no primeiro semestre de 2020 está relacionada com a interrupção das atividades 'não essenciais' no contexto do confinamento em vigor entre meados de março e o início de maio", afirmou o instituto em um comunicado. O Insee também prevê uma recuperação de +19% no terceiro trimestre.

Para o ministro francês da Economia, Bruno Le Maire, essa queda menos pronunciada mostra que é possível diminuir os efeitos da crise. Le Maire defendeu que o governo continue adotando decisões radicais para proteger os trabalhadores e a economia, e acredita que o governo poderá evitar uma retração de 11% do PIB em 2020.

Espanha: dois períodos consecutivos de queda no PIB

A Espanha anunciou hoje que entrou em recessão no segundo trimestre ao registrar uma queda expressiva de 18,5% do Produto Interno Bruto (PIB) na comparação com o trimestre anterior devido à pandemia do novo coronavírus, anunciou o Instituto Nacional de Estatísticas (INE). Após a contração de 5,2% no primeiro trimestre, a quarta maior economia da zona do euro registra dois períodos consecutivos de queda do PIB, a definição técnica de uma recessão.

O segundo trimestre foi marcado pelo confinamento rígido em abril, acentuado por duas semanas de paralisação de todas as atividades não essenciais. Entre maio e junho, a saída do confinamento aconteceu de maneira progressiva.

Os setores do comércio, transportes e hotelaria foram muito afetados, com uma queda de 40% na comparação com o trimestre anterior. A construção civil registrou queda de 24% e a indústria de 18,5%. O turismo, um dos pilares da economia espanhola, que representa 12% do PIB do país, também foi muito afetado, com um retrocesso de 60% de sua receita na comparação com o segundo trimestre de 2019.

O consumo das famílias caiu 21% na comparação com o trimestre anterior e os investimentos das empresas recuaram 22%, enquanto as exportações retrocederam mais de um terço em relação ao período janeiro-março.

O governo espanhol espera uma contração do PIB de 9,2% este ano. O Banco da Espanha, mais pessimista, prevê queda de 15%.

A Espanha foi um dos países mais afetados da Europa pela pandemia, com mais de 28.400 mortos, de acordo com o balanço oficial. Mas também será um dos principais beneficiários do plano europeu de estímulo anunciado pela União Europeia em 21 de julho. O país deve receber, na forma de créditos e subsídios diretos, 140 bilhões de euros do total de 750 bilhões do plano europeu.

Itália: pior recessão desde Segunda Guerra Mundial

A Itália registrou uma queda de 12,4% em seu Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre devido à pandemia, entrando, assim, em recessão, anunciou hoje o Instituto Nacional de Estatísticas do país, o Istat. Segundo as previsões, a economia italiana não enfrentava uma situação tão grave desde a Segunda Guerra Mundial.

Com essa queda "sem precedentes", após uma retração de 5,4% no primeiro trimestre, o PIB italiano registra "o valor mais baixo desde o primeiro trimestre de 1995". Comparado ao segundo trimestre de 2019, a queda se mostra ainda mais vertiginosa, -17,3%. Nos seis primeiros meses deste ano, a baixa chega a 14,3%.

A Itália é o país mais castigado pelo coronavírus na Europa. O governo italiano foi o primeiro a impor medidas estritas de confinamento no Velho Continente, em março, paralisando boa parte de sua atividade econômica. Mais de 35 mil pessoas morreram de Covid-19 na Itália.

Para estimular a recuperação econômica, o governo italiano injetará 25 bilhões de euros adicionais no orçamento de 2020, o que eleva o déficit público a 11,9% do PIB, o maior da zona do euro. O aumento do orçamento, anunciado no dia seguinte ao histórico acordo concluído pela UE para estimular a economia, e do qual a Itália é uma das principais beneficiárias, levará a dívida italiana a 157,6% do PIB.

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