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Como jovem engenheira do Zimbábue virou 1ª mulher negra em um pódio da F1

En De Lion e Stephanie Travers com Lewis Hamilton - Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd.
En De Lion e Stephanie Travers com Lewis Hamilton
Imagem: Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd.
do UOL

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

30/07/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Stephanie Travers é engenheira de fluídos da Mercedes na Fórmula 1
  • Nascida no Zimbábue, ela foi a 1ª mulher negra a subir ao pódio na categoria
  • Jovem trabalha ao lado de En De Lion, malaio que exerce função semelhante à dela no time

O Grande Prêmio da Estíria pode nunca ter uma segunda edição, mas ficará marcado para sempre na mente de Stephanie Travers. Funcionária da Mercedes, a jovem foi a primeira mulher negra a subir ao pódio de uma corrida de Fórmula 1.

"Eu estava celebrando com a equipe no pitwall e fiquei sem palavras quando fui convidada (para ir ao pódio). Não acreditei, foi uma sensação incrível! Tudo aconteceu muito rápido, tanto que nem tive tempo de avisar os meus pais", lembra, aos risos, em entrevista a UOL Carros.

Stephanie participou de um processo seletivo realizado pela Petronas, fabricante de lubrificantes e parceira oficial da Mercedes-AMG na Fórmula 1. Superou mais de 7 mil pessoas e passou por várias etapas, desde a gravação de um vídeo respondendo perguntas sobre os pilotos da equipe até uma espécie de "caça ao tesouro" para ter a entrevista com seu futuro gestor.

Stephanie 2 - Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd. - Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd.
Travers definiu experiência na Mercedes como 'surreal'
Imagem: Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd.

Nascida no Zimbábue, a jovem estudou na Inglaterra antes de superar a concorrência de sete mil candidatos. Hoje ela atua no time de engenheiros de fluidos da escuderia alemã.

"Como engenheira de suporte à pista, sou responsável por analisar e checar todos os fluídos para ter certeza que estamos cumprindo com o regulamento da FIA. Tudo que fazemos no laboratório é extremamente importante", conta.

Convocada de última hora para receber o troféu de Construtores, a jovem foi até homenageada pelo pentacampeão mundial Lewis Hamilton no Instagram.

"É uma conquista incrível e eu só queria reconhecê-la por seu trabalho duro, positividade e paixão pelo que faz. Steph disse que quer inspirar crianças negras e crianças de cor a acreditar que elas também podem fazer isso. E eu não poderia concordar mais. Acredito nisso, e você pode ser o que quiser", escreveu o piloto.

"Desde que entrei para a equipe está sendo uma experiência surreal para mim, já que estar nesse ambiente é algo incrível. Além disso, poder ter o suporte da equipe Mercedes, incluindo os engenheiros de motor e transmissão, passando pelos mecânicos, os pilotos e Toto (Wolff, chefe do time), faz com que eu me sinta bem-vinda e que as pessoas valorizem o que faço".

Stephanie 2 - Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd. - Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd.
Stephanie Travers faz seu trabalho no carro da equipe alemã
Imagem: Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd.

"Temos um canal muito aberto de comunicação entre nós e a equipe. Fazemos análises depois de cada atividade e caso detectamos algo anormal podemos alertar os engenheiros para tentar resolver o problema antes que ele se torne maior. Além disso, às vezes os pilotos vão até o laboratório para discutir o comportamento dos fluídos depois de uma sessão de treinos e conversam sobre o que estamos trabalhando", revelou.

"Amo meu trabalho e espero que posso inspirar jovens garotas um dia. Gostaria de mostrar a elas que é possível trabalhar na Fórmula 1, desde que você se dedique e estude muito. Foque na sua educação quando estiver na escola para atingir seus objetivos. É muito importante ter paixão pelo que faz, e tudo isso forma uma combinação que te ajuda a se tornar o que você quer ser".

Nova realidade

En De Liow 1 - Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd. - Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd.
En De Liow também foi selecionado pela Petronas
Imagem: Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd.

Processo semelhante passou En De Liow, que hoje trabalha ao lado de Stephanie. O malaio, porém, precisou encarar um grande desafio antes de assumir sua nova posição no time alemão.

"Passei pelas mesmas fases de seleção que a Stephanie, mas o começo desta jornada foi um pouco diferente para mim, já que tivemos uma fase muito longa de espera entre os testes de Barcelona e a primeira corrida na Áustria por conta do Covid-19. Mas as equipes da Petronas e Mercedes foram muito gentis e generosos ao me receberem e compartilharem seus conhecimentos para que me sentisse à vontade. Para mim trabalhar na Fórmula 1 é como fazer um hobby todo dia", afirmou.

En De Liow 2 - Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd. - Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd.
Liow também tem contato direto com engenheiros e até pilotos da Mercedes
Imagem: Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd.

Mesmo com pouco tempo de casa, En De já sabe dos desafios de transportar uma estrutura tão complexa como a de uma equipe de Fórmula 1. O jovem também disse que o trabalho executado por ele e Stephanie vai muito além do que acontece nos boxes.

"Apesar de apenas alguns de nós estarem à beira da pista, existe uma equipe muito grande que desenvolve os fluídos e também o time de T.I que nos dão todo o suporte necessário para fazer com que tudo funcione".

En De Liow 3 - Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd. - Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd.
En De (esq.) e Stephanie posam devidamente protegidos contra o Covid-19
Imagem: Steve Etherington for Mercedes-Benz Grand Prix Ltd.

Com a pandemia, Liow conta que as equipes precisaram rever até procedimentos corriqueiros na rotina de trabalho por conta do coronavírus, que adiou o começo da temporada 2020 da categoria para junho.

"Realizamos várias mudanças na equipe e até na posição das máquinas em nosso laboratório, uma vez que precisamos manter o distanciamento social. E nós precisamos criar uma logística para entregar amostras de lubrificantes e combustíveis aos nossos clientes (como Racing Point e Williams) sem que houvesse contato físico. Então toda vez que chegamos na porta do box das equipes precisamos bater na porta para que eles coletem as amostras. Mas felizmente as máquinas não são afetadas pelo coronavírus e estão funcionando normalmente".

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