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Os países que foram "exemplo" mas sofrem agora com segunda onda de covid-19

25/07/2020 10h26

Aumentos significativos de novos casos em lugares como Austrália e Japão levam autoridades a implementar novas medidas de contenção e evidenciam dificuldade global em lidar com o novo coronavírus.

Uma segunda onda de casos de covid-19 tem afetado em diferentes graus países de todas as regiões do mundo, inclusive alguns que, no início da pandemia, foram elogiados por sua eficiência em promover medidas de contenção.

Embora essas medidas iniciais tenham sido cruciais para poupar milhares de vidas humanas, a segunda onda evidencia a dificuldade global em lidar com o novo coronavírus.

"Não vamos voltar ao 'velho normal'. A pandemia já mudou a forma como vivemos nossas vidas", afirmou, na última semana, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreysus.

"Pedimos a todos que tratem como decisões de vida ou morte todas as decisões a respeito de para onde vão e com quem se reúnem - porque é isso que elas são."

Levantamento da agência Reuters aponta que quase 40 países reportaram recordes diários de casos de infecção na última semana e dobraram o número de casos que havia sido registrado na semana anterior.

Austrália

Na Austrália, foi reportado um novo surto de covid-19 na cidade de Melbourne, levando o governo a impor um "lockdown" parcial de seis semanas e obrigar o uso de máscaras em público.

O país é um dos que haviam sido velozes em conter o vírus inicialmente: fechou no início de fevereiro suas fronteiras para visitantes que chegavam da China (epicentro inicial do vírus) e, em março, para visitantes em geral.

Em maio, representantes do governo afirmaram que a curva de casos parecia estar se achatando, e o premiê Scott Morrison anunciou planos de reabertura da economia para julho, além de afrouxamento de medidas de distanciamento social.

Na última semana, porém, o país registrou recorde de novos casos e alertou sobre o aumento de casos de coronavírus identificados em jovens, muitos dos quais celebraram o fim do distanciamento social em bares e festas, explica a agência Reuters.

Japão

No Japão, também houve recorde de novos casos e advertências a respeito de mais infecções na população não idosa.

O país não chegou a implementar um "lockdown" rígido obrigatório, mas contou com os altos índices de cumprimento do estado de emergência decretado pelo premiê Shinzo Abe.

Esse estado foi suspenso em 25 de maio, quando Abe declarou que "conseguimos pôr fim ao surto em cerca de um mês e meio no estilo japonês".

O premiê também afirmou que o país retomaria gradualmente suas atividades econômicas e sociais e criaria uma "nova vida" em meio à pandemia.

Foram aos poucos reabertos negócios, museus e escolas, e o governo chegou a estimular viagens domésticas feitas de modo seguro, uma medida considerada controversa.

Na última quinta-feira, a capital Tóquio registrou um recorde no número de novos casos de coronavírus em um único dia - mais de 360 casos.

Ao anunciar os números, a prefeita da cidade, Yuriko Koike, pediu que os moradores de Tóquio permanecessem em casa.

Sem a colaboração de todos para conter (o vírus), cálculos indicam que os números podem crescer exponencialmente", ela declarou. "Isso significará colocar um freio nas atividades econômicas e sociais, e todos temos que cooperar para evitar isso."

Israel

Com medidas rápidas de contenção no início da pandemia, Israel conseguiu manter muito baixa sua taxa de mortalidade pelo novo coronavírus.

Agora, porém, o país também teme uma segunda onda de contágio, no momento em que os casos de infecções subiram para quase 2 mil por dia, segundo a BBC Monitoring.

O aumento dos casos gerou reações políticas. O Parlamento israelense aprovou uma lei dando ao gabinete do premiê Benjamin Netanyahu poderes ampliados para agir contra a pandemia.

A medida autoriza o premiê a decretar restrições como "lockdowns" e estado de emergência sem a necessidade de aprovação de um comitê legislativo. Também permite que o governo aja contra manifestações populares - que cresceram no último mês, em meio ao aprofundamento do desemprego por conta da pandemia.

Críticos afirmaram que Netanyahu está "castrando o Parlamento" e "se apropriando de autoridade ilimitada com o objetivo de destruir as manifestações" antigoverno.

Europa

Na sexta-feira, a OMS expressou preocupação quanto à ressurgência do coronavírus na Europa, que responde por 20% dos mais de 15 milhões de casos de covid-19 no mundo (EUA e Brasil continuam encabeçando essa lista, enquanto a Índia desponta como possível novo epicentro da pandemia).

Segundo o braço europeu da OMS, tem aumentado o número de casos no continente nas últimas duas semanas, despertando o debate sobre medidas mais duras de contenção.

"O recente ressurgimento da covid-19 em alguns países, depois do afrouxamento de medidas de distanciamento social, certamente causa preocupação", disse um representante da OMS à agência France Presse.

A República Tcheca, um dos primeiros países europeus a implementar regras rígidas de uso de máscaras e quarentena, havia comemorado o fim do isolamento social no país com um grande jantar coletivo em Praga, em 30 de junho.

Mas o país voltou a exigir o uso de máscaras e a limitar aglomerações, depois de novos focos de covid-19 terem surgido. Uma casa noturna tcheca é apontada como um desses focos - foram identificados ao menos 98 casos da doença entre pessoas que passaram por ali, incluindo jogadores de futebol de equipes tchecas.

Também há o temor de novas ondas em países já duramente atingidos pela primeira onda da pandemia, como Espanha e França.

Autoridades espanholas advertem para o aumento de casos em regiões como Catalunha e Aragão, onde novas medidas restritivas foram implementadas. Em Barcelona e arredores, moradores foram orientados a só sair de casa por motivos essenciais.

Na França, máscaras ainda são obrigatórias no transporte público e em ambientes internos, mas teme-se que as férias de verão levem a um novo avanço da covid-19, informa a France Presse.

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