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Por que a Bolsa sobe se a vacina da Moderna ainda não está pronta?

César Esperandio

César Esperandio

César Esperandio é economista com ênfase em planejamento financeiro, com larga experiência no mercado financeiro. Já atuou em setores macroeconômicos de bancos e consultorias, além de ter passado por empresa de pesquisas de mercado. Hoje se dedica exclusivamente ao Econoweek, com foco em investimentos.

do UOL

15/07/2020 18h18

Uma empresa de desenvolvimento de novos remédios parece estar encontrando o caminho para o desenvolvimento de uma vacina que ponha fim a essa crise de saúde global. E os investidores da Bolsa estão animados com isso.

Mas, se nessa fase, o remédio foi testado em apenas 45 pessoas e a perspectiva é de que a vacina, se tudo der certo, seja lançada apenas em 2021, por que as ações já estão subindo?

Eu sou César Esperandio, economista do Econoweek, a tradução da economia. E, neste artigo, bem como no vídeo acima, no qual respondo a perguntas ao vivo sobre o tema, vou traduzir quais são as perspectivas de uma vacina ser lançada em breve, porque as ações estão subindo e quais são as chances de tudo voltar a cair.

Parte relevante da alta recente das ações nas Bolsas de Valores ao redor do mundo acontece na esteira da expectativa do lançamento de uma vacina que acabe logo com esse problema de saúde global.

Recentemente, a Moderna, empresa focada em descoberta e desenvolvimento de novos medicamentos e que está em estágio avançado no desenvolvimento de uma de vacina, trouxe alguns resultados lidos como positivos.

De acordo com a companhia, todos os 45 pacientes testados produziram anticorpos em níveis neutralizantes, embora ainda não tenham chegado à conclusão se os anticorpos produzem de fato imunidade e por quanto tempo ela duraria.

Do lado negativo, houve efeitos colaterais considerados graves em parte das pessoas nesse teste. Mesmo assim, os resultados foram considerados animadores.

A empresa agora iniciará a terceira fase de testes para essa candidata à vacina, onde 30 mil novos participantes farão parte da nova etapa de estudos, que se iniciará ainda este mês.

Mesmo assim, se tudo correr bem, a produção em massa da vacina deverá ocorrer apenas em 2021, ainda que seja declarada como eficaz ainda nesse ano.

Como os investimentos na Bolsa respondem muito mais à expectativa futura, a razão para o otimismo recente na alta do preço das ações se dá justamente porque os investidores começam a projetar um futuro mais promissor, onde o retorno à normalidade começa a encontrar uma data no calendário.

Dessa maneira, a perspectiva é de que há uma luz no fim do túnel e de que a economia encontrará seu rumo de recuperação ainda antes de tudo isso passar.

Por outro lado, se esses testes fracassarem, é bem provável que os preços dos ativos financeiros sofram nova rodada de queda até que um novo teste de vacina, dentre vários que ocorrem paralelamente, deem novos sinais promissores.

O Ibovespa, índice que representa as principais ações de empresas na Bolsa brasileira, parece ter encontrado um ponto intermediário entre o nível pré-crise e o pior momento desse ano, na casa dos 100 mil pontos, que parece sugerir que os investidores estão otimistas com a possibilidade de em breve podermos vivenciar uma imunização global da população à doença, com reflexos positivos na economia à reboque; mas nem tanto.

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