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Supremacista branco é 1ª pessoa executada pela justiça americana em 17 anos

O supremacista Daniel Lewis Lee, executado pela justiça dos Estados Unidos - Reprodução
O supremacista Daniel Lewis Lee, executado pela justiça dos Estados Unidos Imagem: Reprodução
do UOL

Do UOL, em São Paulo*

14/07/2020 10h59Atualizada em 14/07/2020 13h21

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou hoje a primeira execução federal no país em 17 anos, depois que a Suprema Corte autorizou o procedimento. Daniel Lewis Lee, 47, morreu por injeção letal na prisão federal em Terre Haute, Indiana. Membro de uma organização que pregava a supremacia branca, ele foi condenado por assassinar uma família do Arkansas na década de 1990.

"Eu não fiz isso", disse Lee pouco antes de ser executado. "Cometi muitos erros na minha vida, mas não sou um assassino". Suas palavras finais foram: "Você está matando um homem inocente".

A decisão de avançar com a execução gerou polêmica nos Estados Unidos. Os críticos argumentavam que o governo estava criando uma urgência desnecessária e fabricada para obter ganhos políticos.

"O governo tem tentado avançar com essas execuções, apesar de muitas perguntas sem resposta sobre a legalidade de seu novo protocolo de execução", disse Shawn Nolan, um dos advogados dos homens que enfrentam execução federal.

A execução de Lee ocorreu após uma série de reviravoltas legais que terminaram quando a Suprema Corte, em uma decisão por 5 a 4, permitiu que ela seguisse em frente.

Lee, natural de Yukon (Oklahoma), foi o primeiro detento federal executado nos Estados Unidos desde 2003. Desde o retorno da pena capital, em 1988, o país registrava apenas três execuções federais até hoje. Mais duas execuções estão agendadas para esta semana, embora uma delas tenha sido suspensa em uma ação judicial separada.

Lee foi condenado em 1999 no Arkansas pelo assassinato de William Mueller, um traficante de armas, sua esposa, Nancy, e a filha de oito anos do casal, Sarah Powell.

Earlene Peterson, cuja filha e neta foram assassinadas por Lee, pediu clemência ao presidente Donald Trump, mas o chefe de Estado ignorou a solicitação.

Além disso, parentes das vítimas pediram o adiamento da execução devido à pandemia de coronavírus. Os familiares alegaram que precisam enfrentar uma "escolha impossível" entre o direito de acompanhar a execução e o respeito por sua saúde.

Nos Estados Unidos, a maioria dos crimes tem julgamento em nível estadual, mas o governo federal assume os casos mais graves, que incluem ataques terroristas ou crimes de ódio, assim como os crimes cometidos em bases militares.

O apoio à pena de morte registrou forte queda entre os americanos, de acordo com as pesquisas, mas continua sendo forte entre os eleitores republicanos, 77% deles favoráveis à punição para os assassinos.

*Com informações da agência AP e AFP

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