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Opep eleva projeção para oferta de petróleo do Brasil para 3,74 milhões de bpd

Célia Froufe, correspondente

Londres

14/07/2020 11h22

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) apresentou nesta terça-feira, 14, sua primeira estimativa para a produção da commodity pelo Brasil no ano que vem. De acordo com relatório mensal da entidade que tem sede em Viena divulgado nesta terça, a oferta doméstica em 2021 será de uma média de 3,91 milhões de barris por dia (bpd). O volume estimado representa uma elevação em relação à projeção de abastecimento para este ano, que nesta terça foi levemente ajustada para cima, de uma média de 3,73 milhões de bpd para uma média de 3,74 milhões de bpd. Se confirmada, a nova expectativa para 2020 representará um aumento de 190 mil bpd sobre o suprimento de 2019 e de 180 mil bpd deste para o próximo ano.

Com essa perspectiva da Organização para o ano que vem, o Brasil será um dos principais países a impulsionar o suprimento da commodity global fora do cartel, atrás apenas dos Estados Unidos, que devem registrar uma ampliação de 240 mil barris por dia. Outros produtores relevantes apontados pela Opep são Noruega, Canadá, Austrália, Equador e Catar.

A instituição destacou, no entanto, que os números poderão ser alterados já que há incertezas em relação aos aspectos financeiros e logísticos da produção americana e também a possibilidade alta de uma segunda onda de infecções por covid-19 em todo o mundo.

Apenas em maio, a produção brasileira de petróleo bruto apresentou queda de 190 mil bpd sobre abril, para uma média de 2,77 milhões de bpd. O resultado foi influenciado pela redução de 180 mil bpd em campos do pré-sal.

"Essa queda pode dever-se ao fato de os operadores preferirem manter o número mínimo de pessoal necessário para sustentar a produção e operações seguras em meio à pandemia da covid-19", destacou a entidade, acrescentando que os dados preliminares de junho mostram um aumento para uma média de 2,91 milhões de bpd de petróleo.

A Opep considera que a atividade petrolífera no segundo semestre do ano será maior do que na primeira metade no País, já que novos projetos passam a entrar em operação. "Além disso, o primeiro fluxo de petróleo bruto da plataforma (FPSO, na sigla em inglês) P-70 foi relatado em 25 de junho, de acordo com a Petrobras", frisou o relatório, explicando que essa FPSO, instalada na Bacia de Santos, tem capacidade de processamento de 150 mil bpd. "Com preços mais baixos que o ponto de equilíbrio atualmente e a melhora dos preços do petróleo, a produção do pré-sal do Brasil parece estar mais bem posicionada", considerou.

Demanda

Sobre a demanda, a Organização salientou que houve um "declínio significativo" em toda a América Latina em abril, de 1,4 milhão de bpd na comparação com o mesmo mês do ano passado, atribuído principalmente a uma forte desaceleração no consumo de petróleo brasileiro. No País, a queda foi de 560 mil bpd na comparação com abril do ano passado, mas a entidade salientou que "todos os países da América Latina apresentaram quedas notáveis", com baixa de 270 mil bpd na Argentina, de 190 mil bpd na Colômbia e de 10 mil na Venezuela.

O segmento mais afetado em toda a região, conforme a Opep, foi de combustíveis para transporte - tanto de gasolina quanto para o segmento de aviação - por causa das restrições de mobilidade.

PIB

A Opep previu ainda nesta terça que o PIB do Brasil este ano cairá ainda mais do que o esperado há um mês. De acordo com relatório mensal da entidade que tem sede em Viena divulgado nesta terça, a atividade doméstica encolherá 6,7% em 2020 - ante expectativa de queda de 6% em junho. Para o ano que vem, a previsão é de expansão da economia de 2,4%.

A Opep destacou que as taxas de infecção por covid-19 continuam a aumentar no Brasil e na Índia - outro país que teve a projeção de queda do PIB acentuada pela instituição, de -0,8% para -2,5%.

"Nessas economias, as medidas de bloqueio também foram atenuadas, mas parece não ter sido suficientemente favorável para levar a uma recuperação subjacente ampla", considerou a entidade, citando o relatório Coronavirus Government Response Tracker, da Universidade de Oxford.

"A tendência de diminuir gradualmente as medidas de bloqueio também foi observada em outras economias em desenvolvimento na África e na América Latina", comparou a Organização.

Cenário global

A Opep apresentou também sua primeira estimativa para a demanda global pela commodity no ano que vem. Pelos cálculos da entidade que tem sede em Viena, na Áustria, o consumo apresentará um crescimento histórico elevado de 7 milhões de barris por dia depois de um ano em que o impacto deve ser muito forte por causa da pandemia de coronavírus.

O relatório mensal da instituição salientou que, regionalmente, o crescimento do consumo deve ser de 3,5 milhões de bpd tanto nos membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) quanto nos países que estão fora da entidade - o Brasil não faz parte da OCDE.

Em relação aos produtos, a Opep previu nesta terça que a gasolina e o diesel devem registrar os maiores ganhos anuais em 2021, embora os ganhos contínuos de eficiência, incluindo trabalho remoto e teleconferências, possam limitar os avanços de demanda por petróleo no ano que vem, permanecendo abaixo dos níveis identificados antes da crise.

Para 2020, a Opep projetou que a demanda mundial deve cair 8,9 milhões de bpd. Há um mês, a expectativa era de queda maior, de 9,07 milhões de bpd e a melhora foi atribuída à demanda de petróleo um pouco melhor do que o esperado da região da OCDE ao longo do segundo trimestre do ano.

Esse movimento, conforme o documento, mais do que compensou os ajustes para baixo na demanda por petróleo fora da Organização durante o mesmo trimestre, principalmente na região "Outra Ásia". Nos países desse grupo, a atividade de manufatura enfraquecida e o setor de transporte ficaram abaixo das expectativas.

A demanda global total de petróleo é estimada em 90,7 milhões de bpd em 2020, com expectativa de maior consumo na segunda metade do ano na comparação com a primeira. Para 2021, a demanda por petróleo deverá se recuperar parcialmente da desaceleração exibida em 2020 e ainda crescer para uma média total de 97,7 milhões de bpd. "Estima-se que a demanda por petróleo registre desenvolvimentos significativos em relação ao ano anterior, no entanto, permanecerá muito abaixo dos níveis anteriores à covid-19", comparou.

A Opep presume que a melhora da economia em 2021 em comparação com o ano atual, além da fraca base de comparação, sejam consideradas os fatores determinantes do aumento da demanda. A entidade também supõe que não haverá grandes surtos de covid-19 em 2021 para compor seu cenário para o ano.

"A incerteza quanto às premissas de perspectivas para este e o próximo ano permanece extraordinariamente alta, particularmente no que diz respeito ao crescimento econômico (taxas de desemprego, tamanho e efetividade dos estímulos, recuperação setorial da indústria e serviços etc.), bem como os desenvolvimentos da pandemia da covid-19, restrições relacionadas e seu impacto no consumo de petróleo", ponderou a entidade.

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