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No auge da volatilidade, definição da Libor foi 'chute'

William Shaw e Silla Brush

13/07/2020 17h41

(Bloomberg) -- No auge do colapso dos mercados devido à pandemia, o "chute" teve papel vital na definição dos custos internacionais de captação.

Dados transacionais usados para calcular a Libor em libra esterlina praticamente sumiram quando a volatilidade tomou os mercados em março, reforçando o argumento em prol da eliminação dessa taxa de referência, afirmou o presidente do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, em discurso na segunda-feira.

Para definir a Libor, que funciona como base de centenas de trilhões de dólares em ativos no mundo todo, os bancos apresentam dados de mercado. Quando não existem esses números, as instituições usam suas próprias estimativas nas informações apresentadas. Esse processo colocou em xeque a precisão do benchmark e impulsionou um esforço de longa data para substituir a Libor.

"Mais da metade das 35 taxas publicadas da Libor em todas as moedas não continha qualquer informação baseada em transações" durante a semana iniciada em 16 de março, disse Bailey. "Ao mesmo tempo, as taxas da Libor e, portanto, os custos para os tomadores de empréstimos, dispararam com base no julgamento de especialistas."

Na semana iniciada em 16 de março, nenhuma informação com base em transações foi enviada para definição da Libor para captações em libras esterlinas com prazo de três meses, de acordo com Bailey.

As autoridades começaram a eliminar gradualmente a referência da Libor após descobertas de que bancos dos EUA e Europa manipulavam as taxas para beneficiar suas próprias carteiras. Credores e empresas devem fazer a migração nos próximos 18 meses. No entanto, esses esforços foram prejudicados à medida que a atenção dos mercados se voltou para a crise.

"Apesar da variedade de desafios que enfrentamos por causa do coronavírus, o afastamento da Libor continua sendo de suma importância", afirmou o responsável pelo escritório do banco central americano (Federal Reserve) em Nova York, John Williams, durante evento online da Bloomberg.

Bailey falou em punições se os bancos não mostrarem que estão se afastando da Libor.

"Não esperamos ver mais nenhum empréstimo atrelado à Libor em libra esterlina depois do fim de março de 2021", afirmou. "Firmas regulamentadas do Reino Unido devem esperar que seus supervisores monitorem e discutam seu progresso em relação a esses marcos importantes."

©2020 Bloomberg L.P.

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