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Ex-assessor vê Trump como anomalia: 'Perguntarão como chegou à presidência'

Presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington - Carlos Barria/Reuters
Presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington Imagem: Carlos Barria/Reuters

Washington (EUA)

10/07/2020 19h54

Ex-conselheiro de segurança nacional da Casa Branca e autor de um recém-lançado polêmico livro de memórias sobre seu período no governo de Donald Trump, John Bolton fez hoje duras declarações sobre o presidente americano em entrevista à Agência Efe.

Para o ex-assessor, o governo Trump é uma "anomalia" na história dos Estados Unidos, e, quando "desaparecer", as pessoas "vão se perguntar como chegou à presidência".

Bolton, que começou a trabalhar no governo Trump em março de 2018 e saiu em setembro de 2019 em um dramático rompimento com o presidente americano, espera que a história lembre o ex-chefe como "um presidente de um mandato e uma anomalia" que deixará um legado que pouco destacável em política internacional.

"Há muito poucas histórias de sucesso para contar, e a política (externa) dos EUA, em muitos aspectos, é mais fraca do que antes", disse Bolton, que concedeu entrevista à Efe para promover o livro de memórias "The Room Where It Happened" ("A sala onde aconteceu", em tradução livre).

Bolton afirmou acreditar que será possível "reparar os danos que foram feitos aos Estados Unidos" e previu que isso será possível "após um mandato" de Trump, mas a tarefa será mais complicada se ele for reeleito.

"É importante que nossos amigos ao redor do mundo entendam que isso é uma anomalia. Donald Trump não é um republicano conservador. Também não quero dizer que ele seja um democrata progressista. Ele é simplesmente Donald Trump, e, quando desaparecer, as pessoas vão se perguntar como chegou à presidência", declarou.

No livro, Bolton faz pouca autocrítica sobre seu próprio envolvimento nas falhas do governo Trump. Na entrevista, defendeu seu tempo como conselheiro da seguinte forma: "o que eu tentei fazer foi aproximar o presidente do que eu pensava serem posições consistentes com a segurança nacional dos EUA, e quando senti que não podia mais fazer isso, saí".

O ex-conselheiro disse que renunciou em parte por causa de desacordos sobre a política para o Afeganistão, mas Trump alega que o demitiu, algo que contribuiu para azedar ainda mais uma das relações mais tensas de Washington.

Bolton, que escreve na obra que tentou se distanciar do debate sobre imigração enquanto estava na Casa Branca, também afirmou à Agência Efe que a agenda de imigração de Trump "não é uma política definida", mas "uma declaração política" com fins eleitorais.

"Parte do ponto que vamos construir o muro e o México vai pagar. Mas, de fato, o México não pagou, e não vejo como isso poderia acontecer. O muro é um símbolo para muitas pessoas sobre imigração ilegal (...) e é uma questão que (Trump) usa para chamar a atenção (dos eleitores), comentou.

O ex-assessor revelou ainda que não votará em Trump nas eleições de novembro, nem no democrata Joe Biden, mas anotará na cédula o nome de algum político com cujas ideias ele concorda.

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