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Quanto rende o FGTS? Vale a pena sacar e investir os R$ 1.045 liberados?

Arte UOL
Imagem: Arte UOL
do UOL

Vinícius Pereira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/07/2020 04h00

A liberação do pagamento de R$ 1.045 do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) pela Caixa, que vai até 21 de setembro, traz uma dúvida aos trabalhadores: sacar ou não sacar o benefício?

Se em outros tempos, retirar seria unanimidade (por causa do baixo rendimento), hoje, por causa da queda da taxa básica de juros (Selic) ao menor patamar histórico, o conselho mudou. Segundo especialistas ouvidos pelo UOL, o saque só deve ocorrer para pagar dívidas ou formar uma reserva de emergência.

Investir o FGTS não vale a pena

Com a Selic a 2,25% ao ano, o dinheiro do FGTS passa a render mais caso deixado no próprio fundo. O rendimento do FGTS é de 3% ao ano mais a Taxa de Referência (TR, atualmente em zero) e não há cobrança de Imposto de Renda (IR).

A pedido do UOL, a especialista e professora de finanças da BSG DuoPrata, FIA/B3 Betty Grobman calculou quanto os R$ 1.045 renderiam, em um ano, em alguns dos principais investimentos conservadores oferecidos no Brasil:

  • FGTS (taxa 3% aa): saldo líquido de R$ 1.076,35
  • CDB a 100% da taxa DI (2,15% aa): saldo líquido de R$ 1.062,97
  • Poupança (taxa 1,575% aa): saldo líquido de R$ 1.061,45

Se puder, não tire o dinheiro do FGTS porque 3% ao ano está bom demais. Além disso, apesar de o Banco Central acenar em manter a Selic nos atuais 2,25%, o mercado ainda crê que a taxa possa cair mais 0,5 ponto e ir até 1,75% ao ano, o que amplia a vantagem do FGTS.
Betty Grobman

Além disso, a possibilidade de divisão do lucro do FGTS pode aumentar esse rendimento. No ano passado, com a distribuição de 100% dos lucros, o rendimento do fundo ficou próximo dos 6,2%, enquanto a Selic fechou o ano em 4,5%. Para 2020, o governo ainda não decidiu qual percentual do lucro será distribuído.

Em relação a investimentos de maior risco, como fundos multimercados ou a Bolsa, por exemplo, há a possibilidade de que o investidor consiga um rendimento maior do que o do FGTS, mas com riscos bem maiores, o que deve ser considerado.

Se você tiver um perfil mais moderado e arrojado, há mais opções de investimento, com mais risco. Você pode ganhar mais, mas também perder mais. Por isso, só é indicado para quem já entende do assunto.
Betty Grobman

Dívidas ou reserva de emergência

Com o perfil conservador, o saque do dinheiro do FGTS só deve ocorrer, portanto, caso o dinheiro seja destinado ao pagamento de qualquer dívida. Como os juros cobrados em qualquer empréstimo pessoal ou cartão de crédito superam (e muito) os 3% ao ano, o montante deve ser utilizado para quitar tal débito.

"Os juros das dívidas são muito maiores e, por isso, vale a pena abater qualquer uma delas. A imensa maioria dos brasileiros não tem reserva de emergência, e muitos estão endividados. Então, isso é prioridade", afirmou Virginia Prestes, professora de finanças da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

A reserva de emergência é um montante destinado a algum imprevisto e que deve cobrir pelo menos três meses de despesas fixas, por exemplo, em caso de desemprego ou algum acontecimento inesperado. "Para formar uma reserva de emergência também é válido o saque, já que você não pode tirar o FGTS a qualquer momento depois", disse Virginia.

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