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De Tracker a HR-V: 5 carros que custam mais do que realmente valem

Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

do UOL

Colunista do UOL

02/07/2020 04h00

"O mercado é soberano". Essa é uma frase que sempre ouvi do meu pai e do meu falecido avô. Lembro dela para evitar que minhas opiniões pessoais sobre o mercado de carros, tanto nessas colunas como em meus vídeos, transpareçam ser uma verdade absoluta.

Quando um carro é lançado, eu posso até especular se ele vai se dar bem no mercado de novos. Também posso imaginar como o mercado de usados vai reagir a esse modelo no decorrer dos anos.

Mas é o mercado que vai decidir como será a trajetória desse modelo. Dois exemplos simples são da Kombi e do Focus. Enquanto o primeiro foi um produto extremamente ultrapassado em suas últimas décadas de vida, o segundo sempre foi referência de bom produto no segmento. Nada disso impediu o sucesso da Kombi e o fracasso do Focus.

É interessante observar que, nesse ponto, o mercado de usados é muito mais justo que o de novos. Enquanto um carro novo tem preço estipulado pelo fabricante, que precisa respeitar inúmeras variáveis como custos, concorrência, margem de lucro, etc, o carro usado tem o preço ditado pelo mercado. A prova disso é que cada modelo tem um índice de desvalorização diferente.

Os carros que citarei a seguir são alguns exemplos de modelos que valem menos do que custam. Não que sejam ruins, são apenas caros pelo que oferecem quando novos - algo que o mercado de usados corrige com o tempo.

Honda HR-V

Esse SUV da Honda já não tem o mesmo fôlego dos primeiros anos. Está certo que a concorrência é bem maior e tende a crescer cada vez mais, porém alguns já perceberam que o HR-V não vale o quanto cobram por ele. Não precisa sair de uma concessionária Honda para enxergar isso, basta olhar para o lado e comparar com o Civic.

Os dois modelos têm preços muito próximos, mais ou menos entre R$ 100 mil e 140 mil, com algumas versões entre elas. Porém, o Civic é muito melhor. Não estou falando de equipamentos, mas da própria construção.

O Civic é de uma categoria superior, com suspensão independente nas quatro rodas, motor mais potente, maior espaço para ocupantes e bagagem, melhor isolamento acústico e dirigibilidade, e por aí vai. O HR-V é bom, mas é de uma categoria inferior e deveria ser consideravelmente mais barato que o Civic.

Volkswagen up!

Mais um carro bom que nunca fez o devido sucesso no Brasil. Por aqui, compramos carro por "metro quadrado", portanto o pequeno up! sempre derrapou nas vendas quando comparado com seus irmãos. A Volkswagen caprichou na construção do carrinho, que é equipado com motores modernos e eficientes. Mas basta olhar para o preço dele e entender que é de fato muito caro.

São quase R$ 50 mil pela versão de entrada, cerca de R$ 15 mil mais caro que os também pequenos Fiat Mobi e Renault Kwid. Para ficar na mesma casa, a VW oferece o veterano Fox por apenas R$ 4 mil a mais, porém com maior espaço interno e motor 1.6. Assim fica difícil levar o up! para casa.

Chevrolet Tracker

Ando bem satisfeito com os atuais modelos da Chevrolet. Design e equipamentos à parte, são carros gostosos de guiar, algo que eu valorizo bastante. O último que testei foi o Tracker, em sua versão mais cara, a Premier.

Adorei o carro, mas não tem como entender seu preço, principalmente quando comparado com outro GM, o Onix Plus, também testado por mim na mesma versão top de linha. O sedã chega nos R$ 80 mil nessa versão, enquanto o Tracker parte dos R$ 85 mil na versão de entrada. Onde estão esses R$ 5 mil a mais pelo SUV, que compartilha o mesmo motor, mesma plataforma e é até menos equipado por esse preço?

Para equiparar as versões, o Tracker Premier oferece motor mais forte e alguns equipamentos de segurança a mais, porém bate nos R$ 116 mil. São incríveis R$ 36 mil de diferença por carros muito equivalentes, pelo menos na minha visão. Vamos ver como o mercado vai se comportar com esses modelos.

Fiat Doblò

Doblo - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Gosto do Doblò. Ele é versátil e bom de andar. Mas é um projeto antigo, usa um motor pouco eficiente com transmissão manual e o acabamento é tão bom quanto o de um carro de entrada. Com essas características, nada justifica seu preço de quase R$ 100 mil, principalmente quando imaginamos que a Fiat já deve ter tido o retorno do investimento feito no projeto.

Nem mesmo os sete lugares justificam esse valor, já que o Chevrolet Spin consegue ser bem mais barato e, de quebra, oferece transmissão automática. O Doblò me parece fadado a ser vendido para frotistas, que certamente tem descontos generosos. Mas levando em conta apenas o valor sugerido para o público, não faz o menor sentido esses R$ 100 mil.

Toyota Yaris

Tive a oportunidade de conhecer o Yaris alguns dias antes de seu lançamento oficial. Na ocasião, fiz um comparativo da versão mais cara, a XLS, com a de entrada do Toyota Corolla. O Yaris ganhou de lavada nos equipamentos, mas perdeu na dirigibilidade, ponto crucial que justifica o projeto mais caro do Corolla - assim como o exemplo que dei do HRV com o Civic.

Passados alguns anos desse lançamento, o mercado, sempre soberano, mostrou que o Yaris não fez nem cócegas no Corolla, que continuou vendendo como água no deserto. Agora, enxergo o Yaris mais próximo do Etios que do Corolla. E é nas versões de entrada de ambos que vejo como o Yaris é caro. São mais de R$ 14 mil que separam o Etios X do Yaris XL.

Ambos usam o mesmo motor 1.3 com transmissão manual, tem o mesmo pacote de segurança e comodidade, com pequena vantagem para o Yaris - que tem sistema de som, coisa que o Etios X não tem. Cadê os R$ 14 mil? Não consigo enxergar esse valor, e parece que o mercado também não.

Você se lembra de mais algum carro que não vale o que custa? Deixe nos comentários.

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