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Macron teria oferecido ajuda a Platini em escândalo de corrupção da Copa de 2022, diz site

Presidente da França, Emmanuel Macron, em Paris -
Presidente da França, Emmanuel Macron, em Paris

01/07/2020 12h35

O site de notícias francês Mediapart afirma que o presidente Emmanuel Macron teria oferecido ajuda ao ex-presidente da Uefa Michel Platini no escândalo de corrupção sobre a atribuição da Copa do Mundo de 2022 ao Catar. Um juiz da Corte de Cassação da França também pode estar implicado no caso.

Macron poderia ter se envolvido no escândalo de corrupção que levou à prisão de Platini no ano passado? É o que afirma o site de notícias francês "Mediapart", que teve acesso a escutas e a relatórios judiciais.

Conhecido na França por reportagens investigativas e denúncias, o Mediapart revelou que Platini afirmou em 2019, por telefone, que o presidente Macron teria se comprometido em "ajudá-lo" na Justiça. A promessa, segundo o ex-jogador, teria ocorrido durante um encontro, em 8 de março de 2018, no Palácio do Eliseu, sede do governo. O evento não constava da agenda oficial do chefe de Estado.

A reunião confidencial teria sido organizada pelo jornalista Jacques Vendroux, na época editor de esportes da Radio France. Ele foi entrevistado pela equipe do Mediapart.

"Um dia eu disse a Michel: 'seria legal se você encontrasse Macron, ele adora futebol'", afirmou. "Organizei o encontro. Falamos de futebol, da Juventus, do Saint-Étienne, da seleção da França, do título de 1984, do título de 1998", reiterou.

Segundo Vendroux, o escândalo de corrupção da Copa de 2022 não era o tema central da reunião. "O presidente nunca disse: 'vou ajudar você'", declarou o jornalista. "Talvez ele tenha dito uma frase como 'vou ver', mas Michel nunca pediu nada. E o presidente nunca prometeu nada", completou.

Acesso a escutas

As escutas às quais o Mediapart teve acesso apontam a outra direção. Em uma delas, que data de 24 de maio de 2019, Platini conversa com o amigo Jean-Pierre Chanal, diretor-geral-adjunto de serviços da prefeitura de Marselha, no sul da França.

"Eu enviei uma coisa ao Palácio do Eliseu dizendo que o presidente falou que me ajudaria (...). Seria bom que ele fizesse isso agora, não é?", afirma o ex-presidente da Uefa a seu interlocutor.

Chanal também colocou Platini em contato com Michel Debacq, alto magistrado da Corte de Cassação. O juiz afirmou ao Mediapart que encontrou Platini em três ocasiões "a título informal" e declarou que o assunto diz repeito a sua "vida privada".

Entretanto, segundo o site de notícias, que cita as escutas às quais teve acesso, Michel Dabacq teria ajudado o ex-jogador de futebol a abrir uma investigação sobre aqueles que o denunciaram à Justiça suíça, no caso envolvendo a transferência de 2 milhões de francos suíços do ex-presidente da Fifa Joseph Blatter a Platini.

Em junho de 2019, Platini foi detido para interrogatório em Nanterre, no Escritório Central de Luta Contra a Corrupção e Crimes Financeiros e Fiscais. Ele foi ouvido dentro de uma investigação preliminar aberta pelo Ministério Público por "corrupção privada", "associação a criminosos", "tráfico de influência e ocultação de tráfico de influência" sobre a atribuição do Mundial de 2022 ao Catar.

O Ministério Público se interessou particularmente por um almoço na sede da presidência, em 23 de novembro de 2010. Neste dia, Platini e o emir do Catar se reuniram com Nicolas Sarkozy, presidente da França na época.

Elogios de Macron

Durante a turnê de divulgação de seu livro, em outubro de 2019, Platini recebeu uma mensagem de apoio de Macron. "Eu sei que esses últimos anos foram difíceis, que as feridas foram profundas e que também há o sentimento de injustiça. Eu tenho uma mensagem, uma mensagem de um admirador, uma mensagem de agradecimento. Quero lhe dizer que você ainda tem muitas coisas a trazer para o futebol francês e aos jovens franceses", afirmou o presidente, na rádio francesa RTL.

Em resposta ao Mediapart, o Palácio do Eliseu negou o envolvimento de Macron no caso de corrupção da atribuição da Copa de 2022 ao Catar. "O presidente da República, que se interessa por futebol, recebeu o jogador e ícone Michel Platini, mas, de forma alguma, o investigado Michel Platini. O presidente sabe perfeitamente que não pode evocar o caso individual de uma pessoa condenável", indicou a sede do governo.

Para o Mediapart, as escutas são comprometedoras para Macron. "Descobertas que vêm à tona há meses, envolvem uma parte do aparelho judiciário e mostram, mais uma vez, a ideia que a presidência tem sobre a independência da Justiça", afirma a matéria.

Enquanto isso, a justiça da Suíça continua atrás de Platini. Uma investigação aberta em 2015 contra Sepp Blatter por um pagamento de 2 milhões de francos suíços ao ex-jogador também o visa por "cumplicidade de má gestão e desvio". Agora, o ex-presidente da Uefa aparece no caso como "acusado".

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