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Mortes por COVID-19 voltam a subir nos EUA e passam de 60.000 no Brasil

01/07/2020 21h52

Rio de Janeiro, 2 Jul 2020 (AFP) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu nesta quarta-feira (1) que a pandemia do novo coronavírus continua se acelerando, com uma nova onda de infecções nos Estados Unidos e seu avanço no Brasil, onde superou as 60.000 mortes.

Desde o surgimento da pandemia, em dezembro, na Chima, o número de infectados passou dos 10,6 milhões - metade deles em junho -, com mais de 514.000 mortes, segundo contagem feita pela AFP com base em dados oficiais.

Na última semana, houve pela primeira vez mais de 160.000 contágios diários, informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que voltou a preconizar o respeito às regras de distanciamento social, detecção e isolamento de pessoas contagiadas, assim como o uso de máscaras.

Conselhos que têm enfrentado resistências em Estados Unidos e Brasil, os dois países com o maior número de mortos e infectados, onde os presidentes Donald Turmp e Jair Bolsonaro têm se mostrado reticentes às medidas de quarentena devido a seus impactos econômicos.

Os Estados Unidos, com 2,6 milhões de contagiados e quase 128.000 mortos, enfrenta um crescimento de casos em vários estados, sobretudo no sul. Na terça, voltou a registrar mais de mil mortes em 24 horas pela primeira vez desde 10 de junho.

Nos últimos dias, voltaram a ser aplicadas algumas restrições, como o fechamento de praias e quarentena a viajantes de outros estados, às vésperas do fim de semana prolongado de 4 de julho.

O principal assessor da Casa Branca sobre a pandemia, Anthony Fauci, avaliou que as infecções poderiam alcançar as 100.000 diárias - mais que o dobro dos piores dias - se a tendência atual se mantiver.

No Brasil, nas últimas 24 horas foram registrados 46.712 novos casos e 1.038 óbitos, elevando o total de contagiados a 1,44 milhão e o de mortos a 60.632.

A pandemia não dá sinais de trégua no país, com uma população que beira os 212 milhões de habitantes, apesar de muitos estados flexibilizarem as medidas de isolamento.

Os especialistas acreditam, ainda, que o número real de infecções seja muito maior que o oficial, já que não são feitos diagnósticos sistemáticos na população.

"Existem vários Brasis. Em alguns lugares, a pandemia está recuando, em outros, está aumentando. Agora está indo para o interior", disse à AFP Roberto Medronho, diretor da Divisão de Pesquisa do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Tanto os Estados Unidos quanto o Brasil foram excluídos da lista de 15 países aos quais a União Europeia abriu suas fronteiras nesta quarta-feira. A lista tampouco inclui o Reino Unido ou a Rússia, enquanto o Uruguai é o único representante de América Latina.

A região é há semanas o epicentro da pandemia.

Em seu último balanço, a Colômbia superou os 100.000 contágios, somando 4.163 casos nesta quarta-feira, enquanto as mortes totalizaram 3.470.

Na Argentina, Buenos Aires voltou à fase mais restritiva do confinamento iniciado em 20 de março, em um momento de esgotamento da população e de temores crescentes sobre a economia, em recessão desde 2018.

O Peru, ao contrário, viveu seu primeiro dia de desconfinamento gradual para reativar sua atividade semiparalisada de três meses e meio de quarentena nacional obrigatória.

Assim como no Peru, que decidiu manter sua emblemática cidadela inca de Machu Picchu e suas fronteiras fechadas, o turismo sofrerá um duro golpe na América Latina e no Caribe, advertiu o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em um estudo.

Para tentar abrandá-lo a República Dominicana reabriu suas fronteiras nesta quarta-feira e autorizou o funcionamento de aeroportos e hotéis.

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Enquanto o governador da Califórnia, Gavin Newsom, anunciou que nas próximas três semanas deixarão de operar restaurantes em espaços fechados, cinemas, bares e outros comércios de Los Angeles e 18 condados.

E em Nova York, o prefeito Bill de Blasio adiou a reabertura prevista de salões de restaurantes até segunda ordem.

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Nesta quarta, donos de hotéis e restaurantes viram o retorno dos primeiros turistas, especialmente nas ilhas da Grécia, país que registrou 200 mortos pelo novo coronavírus, mas cuja economia foi muito abalada.

Romanian Cojan Dragos foi o primeiro em um hotel de Corfu. "Está vazio, não há um único turista, os restaurantes, as lojas estão fechadas, é triste", disse à AFP.

Espanha e Portugal reabriram sua fronteira terrestre, fechada desde 16 de março.

Enquanto isso, os viajantes procedentes da China, onde o vírus surgiu, só poderão entrar no bloco se Pequim adotar a reciprocidade.

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