PUBLICIDADE
Topo

UNE: saída de Decotelli não pode dar espaço ao 'olavismo' e terraplanismo

Carlos Decotelli  - Agência Brasil
Carlos Decotelli Imagem: Agência Brasil
do UOL

Do UOL, em São Paulo

30/06/2020 18h00

A UNE (União Nacional dos Estudantes) declarou nas redes sociais que a saída de Carlos Decotelli do cargo de ministro da Educação não pode dar espaço para o 'olavismo' e o terraplanismo no governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

O demissionário deixou o cargo antes mesmo de tomar posse. O atual secretário-executivo do ministério, Antônio Paulo Vogel, deve assumir a função interinamente.

"As hienas já estão rondando o MEC! A saída de Decotelli não pode dar espaço ao olavismo, terraplanista, anticientífico. O Ministério da Educação não pode ser instrumento de guerra cultural, e tem problemas importantes e urgentes a solucionar sobre a educação brasileira!", escreveu a entidade.

Nomeado ministro da Educação na última quinta-feira (25), Decotelli entregou sua carta de demissão hoje e será exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) depois das acusações de que ele enfeitou o currículo com cursos acadêmicos não realizados. A informação foi confirmada pelo UOL.

O agora ex-ministro é economista, reservista da Marinha e se apresentava com uma larga experiência acadêmica, o que incluiria, segundo ele, os títulos de doutor pela Universidade de Rosário, na Argentina, e de pós-doutorado pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

No entanto, após a nomeação, as duas instituições contestaram suas informações curriculares. O reitor da Universidade de Rosário, Franco Bartolacci, disse que Decotelli não concluiu o doutorado. Já a instituição alemã negou que ele tenha cursado pós-doutorado.

Após os questionamentos, o então ministro se apressou em fazer alterações em seu currículo disponível na plataforma Lattes. As controvérsias criaram um clima de pressão política que resultaram na queda de Decotelli.

A última pá de cal na passagem relâmpago pela chefia do MEC veio quando a FGV (Fundação Getúlio Vargas) negou que ele teria sido professor da universidade. A notícia irritou Bolsonaro e acirrou o lobby pela queda do ex-ministro.

O presidente chegou a elogiar o ministro publicamente, ontem à noite, e indicou que poderia bancá-lo no cargo. Segundo o mandatário, o subordinado estaria "enfrentando todas as formas de deslegitimação". Ressaltou, por outro lado, que Decotelli estava ciente de seu "equívoco" e do mal-estar causado por "inadequações curriculares".

Auxiliares, principalmente os ligados ao núcleo militar, ficaram incomodados com o desgaste trazido pelo novo ministro.

Além dos títulos não obtidos, Decotelli também exagerou ao se autodenominar oficial da Marinha, segundo revelou hoje a colunista do UOL Thaís Oyama.

Na verdade, ele pertence à categoria da reserva de Segunda Classe da Marinha —é um "RM2". Isso significa que ingressou sem concurso na Força para prestar lá um serviço militar temporário (no caso do ministro, um período bastante curto).

Ao contrário dos militares de carreira, os temporários não passam pelas escolas de formação de oficiais e vão para a reserva sem remuneração.

Notícias