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União Europeia convoca embaixador e promete resposta à Venezuela após expulsão

Discurdo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro -
Discurdo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro

Em Bruxelas

30/06/2020 09h53

A tensão entre a União Europeia e o governo venezuelano de Nicolás Maduro aumentou com o anúncio da expulsão da embaixadora do bloco em Caracas, uma decisão que a UE prometeu hoje responder com "reciprocidade".

"Vamos convocar a embaixadora de Maduro nas instituições europeias hoje e, a partir daí, veremos quais medidas podem ser seguidas", disse a porta-voz da diplomacia europeia, Virginie Battu.

Pouco antes, o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, havia condenado o ultimato de 72 horas de Maduro para que a embaixadora da UE em Caracas, Isabel Brilhante Pedrosa, deixasse o país e anunciou que responderia com "reciprocidade".

"Mas a UE não pode expulsar fisicamente um embaixador de um território, pois é uma competência do país anfitrião", disse Battu, especialmente quando a embaixadora da Venezuela na UE, Claudia Salerno, também representa o país na Bélgica e em Luxemburgo.

Os europeus poderiam, assim, declará-la "persona non grata" sob a Convenção de Viena, acrescentou a porta-voz da comunidade, especificando que Bruxelas e os países europeus estão falando sobre as medidas a serem adotadas.

Com a expulsão de Brilhante Pedrosa, o governo venezuelano respondeu às novas sanções europeias contra 11 venezuelanos, incluindo o deputado Luis Parra e vários funcionários por ações contra a oposição liderada por Juan Guaidó.

Embora a UE na condição de bloco não reconheça Guaidó como presidente interino da Venezuela, a exemplo de cinquenta países como Estados Unidos e a maioria dos países europeus, as novas sanções são vistas como um sinal de apoio ao opositor.

"Quem são eles para tentar se impor com ameaça? Quem são? Basta! (...) Se eles não nos querem, devem partir", disse Maduro em um ato no palácio presidencial de Miraflores na segunda-feira, em resposta às medidas europeias.

Os ministérios das Relações Exteriores da Colômbia, Bolívia e Paraguai rejeitaram a expulsão da embaixadora europeia em Caracas. Bogotá e Assunção até pediram à comunidade internacional que acabasse com a "tirania" de Maduro.

Uma fonte do Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE) explicou à AFP que o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, convocou Brilhante Pedrosa para comunicar a decisão e que os europeus estão trabalhando para tirar a diplomata do país.

"Escalada da situação"

Os 27 países membros da UE, que adotam medidas por unanimidade, sempre defenderam sua abordagem de não sancionar setores econômicos, como os Estados Unidos fazem, para não piorar a crise humanitária.

Além disso, apesar da pressão de Washington e da oposição venezuelana, evitam sancionar Maduro para não fechar os canais de diálogo com Caracas, com o objetivo de promover uma solução negociada para a crise política por meio de eleições.

"Todas as medidas que ameaçam o trabalho diplomático (...) só contribuirão para uma escalada da situação", alertou Battu.

As novas sanções da UE elevam o número de venezuelanos banidos do bloco para 36 e congela seus ativos por prejudicar a democracia, o Estado de direito e os direitos humanos neste país em plena crise política.

A Venezuela se tornou em 2017 o primeiro país latino-americano sancionado pela UE, que também impôs um embargo de armas. Paralelamente, o bloco busca aliviar a crise humanitária no país e a crise de refugiados na região.

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