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"Saúde não é mercadoria": Milhares de cuidadores e enfermeiros voltam às ruas na França

30/06/2020 17h24

Poucos dias antes da finalização do plano para o setor da Saúde na França, equipes médicas e hospitalares protestaram novamente nesta terça-feira (30), reunindo milhares de profissionais em grandes cidades francesas, para tentar obter mais do que os € 6,3 bilhões já colocados na mesa de negociação pelo governo do presidente Emmanuel Macron.

Poucos dias antes da finalização do plano para o setor da Saúde na França, equipes médicas e hospitalares protestaram novamente nesta terça-feira (30), reunindo milhares de profissionais em grandes cidades francesas, para tentar obter mais do que os € 6,3 bilhões já colocados na mesa de negociação pelo governo do presidente Emmanuel Macron.

Após o sucesso de sua mobilização em 16 de junho (100.000 a 180.000 manifestantes, segundo fontes oficiais), os sindicatos e coletivos dos hospitais pretendiam manter a pressão sobre o executivo, na reta final do plano para a Saúde na França, conhecido colmo "Ségur de la santé".

No entanto, a multidão foi significativamente menor nesta terça-feira, com metade do número de comícios planejados (cem em toda a França, de acordo com o maior sindicato, a CGT) e um declínio na participação: pelo menos 1.900 pessoas em Paris, 1.600 em Nantes, 1.200 em Lyon 700 em Montpellier, 550 em Lille, 200 em Clermont-Ferrand e Estrasburgo, dependendo das prefeituras, mas também algumas centenas em Dijon e Grenoble.

Menos pessoas, mas não menos determinados. Como Sandrine Coudriaud, auxiliar de enfermagem da Alsácia (nordeste), que chegou a reivindicar "um salário justo para os guerreiros que somos, enviados para o front sem proteção" durante a epidemia de coronavírus.

"Um salário mínimo há 14 anos"

"A grade salarial não muda há anos, tenho um salário mínimo há 14 anos", lamentou Anne-Françoise, assistente de enfermagem em uma clínica particular em Nantes.

"Queremos especialmente os meios para fazer bem o nosso trabalho", insistiu Mylène Rigaud, operadora de radioterapia de Auvergne (centro), que "não quer ter que escolher entre um paciente que está morrendo no corredor e um que não é atendido em um hospital". caixa".

 "Hoje somos mais trabalhadores do que cuidadores. Isso se torna mais fábricas do que hospitais", disse Philippe Bernard, assistente de enfermagem no norte.

O "Ségur de la santé", lançado no final de maio para dar forma concreta ao "plano maciço de investimento e modernização" prometido por Emmanuel Macron para a Saúde, deveria atender a essas demandas.

Mas os acréscimos salariais propostos pelo Ministro da Saúde (€ 300 milhões para médicos do hospital, € 6 bilhões para a equipe de enfermagem não-médica), estão muito longe das esperanças levantadas por este debate na classe, sobretudo entre cuidadores e enfermeiros.

Para Stéphane, cuidador de pacientes de câncer em Lyon (leste), "seis bilhões de euros não são suficientes. Quando vemos o que eles injetam na aeronáutica, por exemplo, ficamos revoltados, porque a saúde não tem preço", disse, numa referência ao investimento feito pelo governo francês para salvar a Air France, em grande dificuldade depois da pandemia.

Sophie Michallet, enfermeira de Grenoble (leste), denunciou "grandes números divulgados para impressionar a opinião pública, mas que, quando distribuídos para a totalidade dos funcionários, não sobra grande coisa".

"Isso não ajuda ninguém"

Todos se lembram dos anúncios anteriores do governo francês, que não impediram um movimento social de protesto iniciado na primavera de 2019.

"Faz mais de um ano que a equipe de enfermagem se manifesta", disse Philippe Martinez, presente no início da manifestação em Paris.

O número 1 da CGT, o maior sindicato da França, queria "atos dignos de agradecimento" durante a crise da saúde, sendo em primeiro lugar "dinheiro para a equipe de enfermagem, muito mais do que o anunciado".

"Isso não ajuda ninguém", confirmou seu colega do sindicato Force Ouvrière ("Força Operária, Yves Veyrier, que considera que "estamos voltamos para o ponto de partida, as negociações recomeçaram".

Mas o tempo está se esgotando porque o "Ségur de la santé" deve terminar na sexta-feira (3), com uma reunião final sob a égide da ex-líder do sindicato CFDT, Nicole Notat. O chefe de Estado poderia então anunciar suas próprias arbitragens sibre o assunto, na próxima semana.

Questionado sobre uma possível extensão do orçamento, o ministro das Finanças, Bruno Le Maire, garantiu na terça-feira que "o governo estaria "lá", sem, no entanto, avançar detalhes. "Faremos o que for preciso para os cuidadores", disse ele.

Baixas expectativas

As expectativas, no entanto, são muito altas: apenas pelo aumento geral de € 300 líquidos por mês, reivindicado por todos os sindicatos, o plano custaria quase € 7 bilhões, segundo o secretário geral do sindicato FO-Health, Didier Birig.

Sem levar em consideração a situação dos "internos e jovens médicos remunerados de maneira indecente, nem o diferencial entre os salários do público e do privado", destaca o Coletivo Inter-Hospitalar.

 A CGT lamentou, por sua vez, que "a questão do recrutamento de pessoal" não seja "abordada" no contexto deste plano.

O governo de Macron, no entanto, prometeu liberar recursos para novos investimentos, além da recuperação do setor, já resgatando um terço das dívidas hospitalares pela Seguridade Social. Resta agora saber o valor deste inventimento orçamentário.

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