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ONU acusa forças afegãs de bombardeio em mercado que matou 23 pessoas

30/06/2020 14h59

Cabul, 30 Jun 2020 (AFP) - A ONU culpou, nesta terça-feira (30), o exército afegão por bombardear no dia anterior um mercado no sul do país, um incidente que matou pelo menos 23 civis.

"As primeiras conclusões imparciais da Manua indicam que os morteiros do Exército Nacional Afegão (ANA) infligiram pesadas baixas entre civis na segunda-feira", denunciou no Twitter a Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (Manua).

"Várias fontes confiáveis afirmam que o ANA disparou esses morteiros mortais em resposta a disparos realizados pelo Talibã, errando o alvo pretendido", acrescentou.

Na segunda-feira, o comando militar afegão disse que o Talibã era o responsável pelo bombardeio na província de Helmand, e que deixou 15 feridos.

O governo de Helmand confirmou esse saldo, mas apresentou um relato alternativo ao do exército, com quatro projéteis que caíram no mercado e depois a explosão de um carro-bomba.

Um porta-voz dos insurgentes, Qari Yusuf Ahmadi, disse à AFP que foram as autoridades e seus "mercenários" os causadores do massacre.

O presidente afegão Ashraf Ghani, por sua vez, pediu ao Talibã que pare com a violência.

Sangin é um distrito muito disputado entre os talibãs e as forças afegãs e de coalizão. Helmand, uma vasta província no sul do Afeganistão, onde existem grandes plantações de papoula, está sob o controle de insurgentes.

Durante as quase duas décadas de conflito, as forças afegãs cometeram vários erros sangrentos.

Em abril de 2018, os bombardeios aéreos afegãos mataram 36 pessoas em uma escola corânica em Kunduz (norte), das quais 30 crianças, de acordo com um balanço da ONU.

A violência diminuiu no Afeganistão desde que os talibãs anunciaram um cessar-fogo de três dias em maio, marcando o fim do Ramadã. As autoridades afegãs dizem que os ataques insurgentes foram retomados nas últimas semanas.

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