PUBLICIDADE
Topo

Notícias

França e Holanda são oportunistas no debate ambiental, diz Paulo Guedes

Paulo Guedes, ministro da economia  - Foto: Jorge William/Agência O Globo
Paulo Guedes, ministro da economia Imagem: Foto: Jorge William/Agência O Globo
do UOL

Antonio Temóteo

Do UOL, em Brasília

30/06/2020 11h51Atualizada em 30/06/2020 12h09

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou hoje que os governos da França e da Holanda são oportunistas no debate sobre meio ambiente. Segundo ele, os dois países praticam o protecionismo comercial ao recusar os produtos agrícolas brasileiros com o argumento de que o país queima as próprias florestas.

A imagem do Brasil no exterior está ruim, na avaliação de Guedes, porque há esse "oportunismo" e porque os próprios brasileiros falam mal do país no exterior. O ministro da Economia ainda declarou que a França é um dos maiores investidores estrangeiros no país, mas não quer importar os produtos agrícolas.

"Um exemplo é a França. Não posso falar isso como ministro de estado, mas a França eu sabia que ia criar caso porque é protecionista. Eles têm medo da nossa agricultura. Eles se protegem contra nós e argumentam que queimamos florestas para eles continuarem impedindo a entrada dos nossos produtos agrícolas lá. França e Holanda estão disfarçando velhas teses protecionistas, jogando uma pecha no Brasil independentemente de haver embasamento factual", declarou Guedes.

O ministro ainda declarou que o Brasil cuida do meio ambiente. Segundo ele, a agricultura brasileira é eficiente, forte e alimenta o mundo.

"Vamos cuidar do nosso meio ambiente, mas não vamos cair na armadilha de atacar o próprio Brasil protegendo interesses de outros países contra o Brasil. Nossa agricultura é eficiente, forte e alimenta o mundo. Mas eles querem se proteger e criam essa barragem de fogo dizendo que desmatamos e defendem que não entremos na corrente de comércio", disse Guedes.

Altos índices de desmatamento

Apesar da declaração de Guedes de que o Brasil se preocupa com a questão ambiental, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontou que o desmatamento na Amazônia entre janeiro e maio deste ano é o maior para o período desde que o instituto passou a medir a devastação da floresta, em agosto de 2015.

Ao todo, foram desmatados 2.032 km² em cinco meses, sendo que a área é 33% maior do que a cidade de São Paulo. O aumento foi de 34% em comparação com a devastação no mesmo período no ano passado e 49% acima da média histórica, entre os anos de 2016 e 2019.

Além dos dados publicados pelo Inpe, existe uma perspectiva de um número ainda pior ao final do ano. Durante encontro virtual da Frente Parlamentar Ambientalista do Congresso Nacional, especialistas em meio ambiente estimaram que o desmatamento na Amazônia deve chegar a 15 mil km² neste ano, contra os quase 10 mil km² de 2019.

Sete grandes empresas de investimento europeias disseram à Reuters recentemente que desinvestirão em produtores de carne, operadoras de grãos e até em títulos do governo do Brasil se não virem progresso rumo a uma solução para a destruição crescente da Floresta Amazônica.

Notícias