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Economia americana dá sinais de recuperação, mas Tesouro e Fed estudam mais estímulo

30/06/2020 19h58

Washington, 30 Jun 2020 (AFP) - A economia americana dá sinais alentadores de recuperação após o duro impacto provocado pela pandemia do novo coronavírus, embora os titulares do Tesouro e do Federal Reserve (Fed, banco central americano) tenham informado nesta terça-feira (30) que pode ser necessário mais estímulo para cimentar a reativação.

Depois que a economia americana registrou dados de emprego muito favoráveis em maio - atribuídos em grande parte aos programas de auxílio aprovados pelo Congresso - a confiança do consumidor, referente ao mês de junho e divulgada nesta terça, aumentou o otimismo.

"Entramos em uma nova fase muito importante e o fizemos antes do previsto", disse o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, durante uma audiência para discutir a implementação do grande pacote de ajuda financeira para a crise aprovado no final de março.

Em seu depoimento, Powell destacou que conter a disseminação do vírus e restaurar a confiança são as chaves para a recuperação da economia, juntamente com a implementação em todos os níveis do governo de políticas para "dar alívio e sustentar a economia enquanto for necessário".

"Uma recuperação total é improvável até que as pessoas sintam que é seguro retornar a múltiplas atividades", alertou Powell, em um momento no qual as regiões Oeste e o Sul dos EUA registram um aumento nos casos de coronavírus.

- Bolsa não cede - Apesar da magnitude do impacto, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que causará uma redução de 8% na economia dos EUA, há alguns sinais encorajadores, como a queda no desemprego, registrada em maio, e uma recuperação nas vendas do varejo e nos gastos dos consumidores.

Somado a esses indicadores está a melhora da confiança do consumidor verificada em maio e junho. Ainda assim, segundo dados dos auxílios semanais, as demissões causadas pela pandemia se mantêm, com cerca de 1,48 milhão de novos pedidos de seguro desemprego na semana passada.

Apesar do desemprego permanecer em um nível alto, de 13,3%, comparado aos 3,5% registrados em fevereiro antes da pandemia, Wall Street fechou nesta terça-feira com a maior alta trimestral em 20 anos e um avanço de 18% do Dow Jones.

Enquanto isso, um estudo menos encorajador revelou que os estados que não exigem o uso de máscaras faciais têm o dobro das taxas de infecções por coronavírus em locais onde seu uso é considerado necessário.

Segundo o Goldman Sachs, o uso de máscaras poderia "substituir parcialmente" a necessidade de um novo confinamento que poderá custar cinco pontos ao PIB.

Os Estados Unidos são o país do mundo com os casos mais fatais de coronavírus, com mais de 126.000 mortes.

- Auxílio "direcionado" -O Congresso aprovou um enorme plano de ajuda emergencial de US$ 2 trilhões no final de março, chamado de CARES act, com o objetivo de reduzir o impacto da crise nas empresas e trabalhadores mais vulneráveis dos Estados Unidos.

A Câmara de Representantes (baixa) adotou em maio um enorme plano de ajuda de US$ 3 trilhões, mas os republicanos, que são a maioria no Senado, estão pedindo mudanças antes de revisá-lo.

O secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, declarou que a "enorme quantidade de fundos" já aprovada pelo Congresso vem ajudando a fortalecer a economia, que deve melhorar no segundo semestre do ano.

Mnuchin observou que os dados mostram que essa ajuda influenciou na recuperação econômica, e que 2,5 milhões de empregos foram criados em maio.

"Embora a taxa de desemprego permaneça em um nível historicamente alto, estamos vendo indicações adicionais de que as condições vão melhorar significativamente no terceiro ou quarto trimestre deste ano", acrescentou.

O secretário do Tesouro informou que as negociações para um plano de ajuda adicional irão começar.

"Esperamos trabalhar com o Congresso de uma forma bipartidarista em julho para qualquer outra aprovação necessária", ressaltou.

No entanto, ele acrescentou que qualquer ajuda adicional deverá ser "especialmente direcionada a certas indústrias que foram afetadas pela pandemia, com ênfase no emprego".

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