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Cuba impede realização de protestos por assassinato de homem negro

30/06/2020 22h17

HAVANA (Reuters) - Dissidentes, artistas e jornalistas cubanos disseram nesta terça-feira que agentes de Segurança do governo da ilha vigiaram suas casas para impedir que eles comparecessem a protestos marcados por conta do assassinato de um jovem negro por parte da polícia. 

Pelo menos 40 ativistas dissidentes também foram detidos pela polícia, de acordo com o grupo de direitos de exilados Cubalex. Alguns deles foram liberados posteriormente. 

Entre eles estavam a artista performática Tania Bruguera em Havana e o líder do grupo de oposição mais ativo de Cuba, José Daniel Ferrer, que estava em prisão domiciliar na cidade de Santiago de Cuba, na região leste do país. 

Cuba normalmente não comenta a detenção de dissidentes, o que lhes garantiria mais publicidade. O governo não respondeu imediatamente a um pedido por comentário. 

Nenhum eventual manifestante parecia capaz de comparecer ao local onde supostamente seria realizado o principal ato em Havana, que estava repleto de Forças de Segurança. Alguns disseram que o monopólio estatal de telecomunicações ETECSA havia cortado o serviço de internet por celular durante a noite passada.

Protestos contra o governo são raros em um país onde os espaços públicos são firmemente controlados e as autoridades comunistas são rápidas para reprimir qualquer tipo de dissidência. 

As convocações para atos na terça-feira foram provocadas por notícias na semana passada de que a polícia havia baleado e matado um homem negro de 27 anos, Hansel Hernández. 

Uma mulher que se identificou como tia da vítima denunciou seu assassinato nas redes sociais e pediu por justiça, atraindo atenção em meio aos protestos contra a violência policial e o racismo nos Estados Unidos. 

Por três dias, as autoridades não comentaram. Mas no sábado, o Ministério do Interior de Cuba emitiu um comunicado dizendo que a polícia estava perseguindo Hernández, que já havia cumprido pena na prisão por outros crimes. 

Hernández, que havia cometido um ato de vandalismo, começou a jogar pedras contra os policiais enquanto era perseguido, atingindo um policial no ombro, e levando-o ao chão, disse a nota do ministério. 

O policial atirou contra Hernández após disparar dois tiros de alerta, dizia a nota, acrescentando que o oficial teria agido em legítima defesa e sem intenção de matar. 

O Ministério do Interior disse lamentar a morte do jovem. 

Críticos denunciam o governo por não responsabilizar a polícia e iniciar uma investigação, especialmente por conta da rapidez na qual as autoridades cubanas condenam a violência policial nos Estados Unidos, fazendo, por exemplo, cobertura extensiva dos protestos do Black Lives Matter na imprensa estatal.

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