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Coronavírus: Últimas notícias e o que sabemos até esta terça-feira (30)

Parlamento Europeu com bandeiras da União Europeia em Bruxelas, na Bélgica. Veto a turistas brasileiros foi mantido  - Getty Images
Parlamento Europeu com bandeiras da União Europeia em Bruxelas, na Bélgica. Veto a turistas brasileiros foi mantido Imagem: Getty Images
do UOL

Do UOL, em São Paulo*

30/06/2020 13h47Atualizada em 30/06/2020 19h41

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou hoje mais 1.280 mortes provocadas pelo coronavírus e contabilizadas nas últimas 24 horas. Com isso, o total nas contas do governo federal chegou a 59.594 vítimas fatais da covid-19.

O mês de junho concentrou mais da metade dos registros de mortes pela doença no Brasil. Desde o primeiro óbito confirmado tendo a covid-19 como causa, no dia 16 de março, foram 29.314 até o dia 31 de maio. Agora, nos últimos 30 dias, foram mais de 30 mil vítimas.

Ainda segundo o ministério, o país contabilizou hoje mais 33.846 casos do covid-19, elevando o total acumulado para 1.402.041 de infectados. Em todo o Brasil, informou a Pasta, ainda existem 552 mil pacientes em acompanhamento, e outros 790 mil já são considerados como recuperados.

Brasil sente efeitos internacionais da pandemia

Com a pandemia do novo coronavírus ainda em expansão em seu território, o Brasil tem sentido os efeitos econômicos e sociais também na esfera internacional. Hoje, a União Europeia (UE) aprovou a reabertura das fronteiras a partir de 1º de julho a turistas de 15 países, sendo que o veto a brasileiros foi mantido.

A lista inclui Argélia, Austrália, Canadá, Geórgia, Japão, Montenegro, Marrocos, Nova Zelândia, Ruanda, Sérvia, Coreia do Sul, Tailândia, Tunísia e Uruguai, além da China, mas o gigante asiático sob critérios de reciprocidade.

Os europeus definiram a lista, que será atualizada a cada duas semanas, com base em uma série de critérios, entre eles que a situação da pandemia de covid-19 em seus territórios seja similar ou melhor que no bloco de 27 países.

Segundo o colunista do UOL Jamil Chade, a tendência é que o Brasil fique fora da lista por mais semanas ainda, já que não atende a nenhum dos critérios estabelecidos. Diplomatas europeus confirmam à coluna que uma reabertura aos turistas brasileiros pode "levar tempo". Mas insistiram que tudo depende da reação das autoridades nacionais.

Já a Administração Geral das Alfândegas da China suspendeu temporariamente a importação de carne de três frigoríficos brasileiros devido à escalada dos casos de covid-19 no Brasil.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ainda suspendeu as exportações para a China de um quarto frigorífico que foi alvo de decisão judicial em decorrência de falha nos procedimentos de prevenção e controle da disseminação do novo coronavírus entre os funcionários.

Um novo surto de covid-19 próximo a Pequim colocou a China em alerta, e suas autoridades sanitárias passaram a monitorar empresas de todo o mundo que exportam para o país.

Desemprego em alta

Os efeitos da pandemia também estão sendo sentidos no mercado de trabalho. Hoje, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) anunciou que a taxa de desemprego no país foi de 12,9% no trimestre entre março e maio deste ano, atingindo 12,7 milhões de pessoas. Os dados fazem parte da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua.

Na comparação com o trimestre anterior (dezembro de 2019 a fevereiro de 2020), houve alta de 1,3 ponto percentual (11,6%). Também houve avanço em relação ao mesmo trimestre do ano passado (12,3%).

De acordo com o IBGE, são 368 mil pessoas a mais sem emprego no trimestre encerrado em maio, em relação ao período anterior. Quando comparado ao mesmo trimestre de 2019, os dados apontam que 7,8 milhões de pessoas ficaram desocupadas, uma queda de 8,3%.

Neste cenário, milhões de brasileiros vivem a expectativa em relação à extensão do auxílio emergencial. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou hoje que o governo deve conceder mais três parcelas, sem confirmar o valor de cada uma. Porém, diversas fontes ouvidas pelo UOL nesta terça-feira (30) afirmaram que a extensão do benefício deve ser feita em duas parcelas de R$ 600.

Em outra frente, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou hoje a lei que institui auxílio financeiro de R$ 3 bilhões para o setor cultural. O valor será repassado, em parcela única, a estados, municípios e o Distrito Federal, responsáveis pela aplicação dos recursos.

O texto prevê o pagamento de três parcelas de um auxílio emergencial de R$ 600 mensais para os trabalhadores da área cultural, além de um subsídio para manutenção de espaços artísticos e culturais, microempresas e pequenas empresas culturais, cooperativas e organizações comunitárias. Esse subsídio mensal terá valor entre R$ 3 mil e R$ 10 mil, de acordo com critérios estabelecidos pelos gestores locais.

"Momentos diferentes"

A pandemia no Brasil tem apresentado diferenças regionais que fazem com que não exista um "momento ótimo" em todo o Brasil para adotar medidas de flexibilização. A avaliação é do coordenador executivo do Centro de Contingência da Covid-19 de São Paulo, João Gabbardo.

Em entrevista à Globonews, o ex-braço direito do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta explicou que existem situações epidemiológicas diferentes nas regiões do país que precisam ser levadas em conta.

"Como tem situações epidemiológicas diferentes, não é razoável que as recomendações sejam as mesmas para todas as regiões (...) Não tem como esperar um momento ótimo para todo país ou para todos os municípios de São Paulo para que possam ser tomadas algumas medidas. Nós precisamos trabalhar monitorando os dados e conseguindo liberar onde é possível. Senão, vamos ficar muito tempo parados aguardando esse momento ótimo que pode demorar ainda vários meses", afirmou.

Exemplo do apontado por Gabbardo pode ser visto no Goiás, que a partir de hoje adota um fechamento alternado de atividades não essenciais, com funcionamento por 14 dias e suspensão por outros 14.

O decreto assinado pelo governador Ronaldo Caiado (DEM) segue recomendação feita em estudo da Universidade Federal de Goiás (UFG) e vai vigorar enquanto as medidas forem necessárias. Segundo dados do Ministério da Saúde, Goiás registrou 23.007 infectados e 437 mortos por Covid-19 até a noite desta segunda-feira.

Por outro lado, São Paulo experimenta a reabertura e, pela primeira vez em junho, não registrou recorde de mortes em uma terça-feira. Foram 365 óbitos pela covid-19 nas últimas 24 horas, sendo que o recorde de 434 vítimas foi registrado no dia 23 de junho.

O governo paulista afirma que os números são maiores às terças-feiras como consequência de um atraso na contabilização de casos aos sábados e domingos.

"Ninguém fica em casa"

Já no Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB) disse estudar a reabertura total, até o começo de agosto, de bares, restaurantes, escolas e outras atividades. A declaração ocorre no dia seguinte à declaração de estado de calamidade pública.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Ibaneis afirmou que "restrições" já não servem para nada, pois se esgotou o "limite" da população. "Vai ser tratado como gripe, como isso deveria ter sido tratado desde o início."

"Pedi para o pessoal fazer o estudo (para a reabertura). Até início de agosto eu deixaria tudo aberto. E nem seria com restrições, não. Restrição não serve mais para nada. Você não consegue mais fazer com que as pessoas fiquem em casa. O limite do isolamento já chegou. Ninguém fica em casa mais", disse.

Em posição oposta, o prefeito de Salvador, ACM Neto (Democratas), anunciou a prorrogação por sete dias do decreto que suspende as atividades comerciais não-essenciais na capital baiana, medida que venceria hoje. O plano é, ao fim deste prazo, que se apresente um protocolo para retomada na cidade.

Operação no Amazonas

A terça-feira também ficou marcada por mais uma operação da Polícia Federal para apurar fraudes na saúde cometidas no combate à pandemia do novo coronavírus. Depois de ações recentes no Rio de Janeiro e Maranhão, foi a vez de Amazonas ser alvo de uma investigação relacionada aos gastos na Saúde.

O governador Wilson Lima (PSC) teve os bens bloqueados pela Justiça. Ao todo, a Operação Sangria cumpre 20 mandados de busca e apreensão e oito mandados de prisão.

Entre as pessoas presas está a secretária de Saúde do estado, Simone Papaiz. Ela assumiu a pasta em abril, no início da pandemia. Além de Simone, um servidor, dois ex-funcionários da Susam (Secretaria de Estado da Saúde) e outras quatro pessoas foram presas.

Expectativa por vacina

A vacina contra o covid-19, desenvolvida pela Universidade de Oxford, na Inglaterra, com testes no Brasil, poderá ficar disponível à população ainda este ano. A afirmação foi feita por Maria Augusta Bernardini, diretora-médica do grupo farmacêutico Astrazeneca. O grupo anglo-sueco participa das pesquisas da universidade inglesa em parceria com Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

"Esperamos ter dados preliminares quanto à eficácia real já disponíveis em torno de outubro, novembro", disse Bernardini. Segundo ela, apesar de os voluntários serem acompanhados por um ano, existe a possibilidade de distribuir a vacina à população antes desse período.

Em outra frente, um teste global concebido para analisar se os remédios antimalária hidroxicloroquina e cloroquina podem evitar infecções de covid-19 deve recomeçar depois de ser aprovado por agências reguladoras do Reino Unido.

A Agência Regulatória de Remédios e Produtos de Saúde (MHRA) tomou a decisão a respeito do que é conhecido como teste Copcov depois que outro teste britânico de hidroxicloroquina mostrar que o remédio não oferece benefícios no tratamento de pacientes já infectados com Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

O estudo Copcov foi suspenso após os resultados do teste de tratamento e aguarda análise.

Preocupação com testes rápidos

Em entrevista ao programa 'Roda Viva", da TV Cultura, a doutora em microbiologia pela USP (Universidade de São Paulo) Natalia Pasternak disse que teste rápido para covid-19 comprado em farmácia "não serve para nada" e causa subnotificação de casos.

"Os testes sorológicos e principalmente os rápidos, vendidos em farmácia pelo preço inacessível para a maioria da população, não servem para nada. Então não comprem", aconselhou a pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP e autora do livro 'Ciência no Cotidiano'.

"Tenho visto pessoas que compram nas farmácias e comemoram porque deu negativo, quando, na verdade, esse teste mede anticorpos —portanto, vai te dizer se você teve contato com o vírus no passado e desenvolveu anticorpos. Eles podem dar muito erro, tanto com testes de falso negativo quanto de falso positivo", acrescentou ela, que também é fundadora e primeira presidente do Instituto Questão de Ciência.

Durante a entrevista, Pasternak disse ainda que a realização de testes rápidos provoca a subnotificação da doença e piora o quadro. O ideal, segundo ela, seria a compra de testes do tipo RTPCR.

"É grave a gente não ter os testes de RTPCR disponíveis principalmente para profissionais de saúde para fazer diagnóstico. Esse é o teste que vai medir o material genético do vírus, vai dizer se o vírus está lá. Isso foi uma escolha do 'desgoverno federal', que não comprou os insumos e não distribuiu para os estados e municípios. Isso deveria ter sido feito pelo Ministério da Saúde. Então temos uma subnotificação, porque não se testa o suficiente."

Prefeito de Manaus com covid-19

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), foi diagnosticado com covid-19 e está internado no hospital Adventista, na capital amazonense.

Em nota enviada ao UOL, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que Virgílio teve o diagnóstico por meio de tomografia e segue em isolamento na unidade com quadro estável, inclusive despachando normalmente.

*Com informações das agências Estadão Conteúdo, Reuters, Agência Brasil e AFP.

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