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Canadá: Cirque du Soleil tenta não falir e escapar dos credores com leilão

30/06/2020 11h10

Endividados até o pescoço e privados de representações durante meses por causa da pandemia de coronavírus, a trupe canadense do Cirque du Soleil anunciou na segunda-feira (29) um acordo na Justiça para sua aquisição por seus atuais acionistas, no âmbito de uma reestruturação, sob supervisão dos tribunais, através de um leilão.

Endividados até o pescoço e privados de representações durante meses por causa da pandemia de coronavírus, a trupe canadense do Cirque du Soleil anunciou na segunda-feira (29) um acordo na Justiça para sua aquisição por seus atuais acionistas, no âmbito de uma reestruturação, sob supervisão dos tribunais, através de um leilão.

Arrastando uma dívida de mais de US$ 1 bilhão, o grupo pediu a proteção dos tribunais para se reestruturar contra seus credores, ao mesmo tempo em que anunciou um acordo para sua aquisição por seus atuais acionistas, ajudados pelo governo do Quebec, por meio de um leilão, que deve acontecer em 45 dias.

O pedido de proteção contra credores deve ser ouvido nesta terça-feira (30) pelo Tribunal Superior de Quebec. Se aceita, a empresa buscará o reconhecimento provisório imediato nos Estados Unidos, de acordo com o Capítulo 15 da Lei de Falências norte-americana.

"Isso pode permitir que as pessoas que desejam assumir o negócio avancem nas negociações", disse Daniel Lamarre, CEO do Cirque du Soleil Group, acrescentando que cinco a seis grupos, entre canadenses e estrangeiros, manifestaram interesse.

No final de maio, o fundador e ex-chefe do Cirque du Soleil, Guy Laliberté, anunciou sua intenção de comprar a empresa, acrescentando que queria manter a sede em Montreal e uma equipe de administração em Quebec.

"Ao mesmo tempo, nossos atuais acionistas, com a ajuda da Investissement Québec, o braço do governo do Quebec, apresentaram uma proposta para a compra", disse Lamarre. "E este último terá a preferência", disse ele.

 Futuro garantido

"É por isso que posso garantir o futuro do Cirque hoje, porque eles (os acionistas) se comprometeram a reinvestir US $ 300 milhões para garantir a sobrevivência da empresa", explicou o Sr. Lamarre.

Este "contrato de compra" concluído com os fundos norte-americanos da TPG e os chineses da Chinese Fosun, bem como os do Banco do Quebec, prevê a aquisição de quase todos os ativos do Grupo Cirque du Soleil, em dinheiro e dívida.

Do total, o Investissement Québec fornecerá financiamento para a dívida de US$ 200 milhões para apoiar a aquisição proposta. O acordo prevê, em particular, que os credores confirmados do Cirque du Soleil recebam uma participação acionária de 45% nos negócios reestruturados, em comparação com os 55% para os atuais acionistas.

Atualmente, o fundo privado americano TPG detém 55% do capital, contra 25% para o fundo chinês Fosun - proprietário do Club Med e Thomas Cook - e 20% para o Banco do Quebec.

Quase 3.500 demissões

O acordo também prevê a criação de dois fundos no total de US $ 20 milhões para fornecer assistência adicional aos funcionários afetados e empresários independentes do circo.

O Cirque du Soleil anunciou a demissão de quase 3.500 dos 4.600 acrobatas e técnicos queestavam em "desemprego técnico" [intrumento de ajuda do governo para empresas durante a pandemia] em março, com o cancelamento de cerca de 40 produções em todo o mundo, de Las Vegas a Tel Aviv via Lyon , Moscou ou Melbourne.

 O grupo pretende recontratar a maioria dos funcionários demitidos assim que as condições permitirem, disse o CEO.

 "O contrato de compra estabelece o preço mínimo, ou a oferta mínima aceitável, para um leilão da empresa sob a supervisão do tribunal, no processo de solicitação de vendas e investimentos, destinado a obter valor a maior oferta possível ou a melhor oferta para o Cirque e seus acionistas ", afirmou a empresa.

"Todos os compromissos" assumidos pelos atuais acionistas "são firmes, o financiamento necessário foi obtido e a oferta não está sujeita a condições adicionais de devida diligência", disseram eles em comunicado separado.

A oferta "fornecerá ao Cirque du Soleil o capital e os recursos necessários para estabilizar e revitalizar os negócios", preservando "a marca nascida no Québec", que foi fundada nesta província de língua francesa em 1984.

(Com informações da AFP)

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