PUBLICIDADE
Topo

Governo faz confusão ao prorrogar auxílio emergencial sem explicar valores

Paulo Guedes, ministro da Economia, fala sobre extensão do auxílio emergencial - Reprodução
Paulo Guedes, ministro da Economia, fala sobre extensão do auxílio emergencial Imagem: Reprodução
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

do UOL

Do UOL, em Brasília

30/06/2020 18h58

O presidente Jair Bolsonaro conseguiu uma proeza nesta tarde. Promoveu uma cerimônia no Salão Nobre do Palácio do Planalto para anunciar a extensão do auxílio emergencial sem explicar claramente para a população como acontecerão os dois novos depósitos (que deverão somar R$ 600 por mês).

Os ministros da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e da Economia, Paulo Guedes, fizeram longos discursos na cerimônia, mas também deixaram brechas e incompreensão de como funcionará de fato o pagamento das próximas parcelas do auxílio.

No fim da cerimônia, coube ao presidente da Caixa, Pedro Guimarães, tentar explicar a confusão armada pelo governo. "Nós estamos conversando, devemos anunciar muito em breve, com o ministro Onyx, como será esse cronograma", disse.

Agenda política

A prorrogação do auxílio emergencial estava sendo usada pelo governo como uma agenda positiva. O benefício tem ampliado a popularidade do presidente em regiões mais carentes, justamente por isso Bolsonaro optou por lotar o Planalto para fazer a cerimônia.

Até a manhã desta terça-feira, segundo auxiliares, o presidente ainda avaliava os cenários possíveis. Segundo um ministro, a decisão de manter as parcelas em R$ 600 no mês foi evitar que o Congresso precisasse aprovar novamente a medida.

Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, prestigiaram a cerimônia, num aceno político importante de que estavam satisfeitos com a decisão do governo.

Bolsonaro queria fazer o anúncio ele mesmo e ordenou que auxiliares não vazassem para a imprensa a decisão. Hoje, no entanto, seu discurso - que aconteceu depois de uma fala de mais de 20 minutos de Guedes - não deixou claro o que havia sido definido e nem o formato que serão os pagamentos.

A prorrogação do auxílio emergencial coleciona uma série de declarações de idas e vindas tanto de Bolsonaro como de Guedes. .No início de junho, o presidente chegou a falar que vetaria novas parcelas se o Congresso aprovasse a prorrogação.

Hoje na cerimônia, o presidente assinou um decreto que trata da extensão do auxílio, mas o documento ainda não foi divulgado pelo Planalto e nem publicado do Diário Oficial da União.

Notícias