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Após caso Decotelli, Heleno diz que GSI não examina currículos de ministros

O ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno - Adriano Machado
O ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno Imagem: Adriano Machado
do UOL

Do UOL, em São Paulo

30/06/2020 18h31

O ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, esclareceu hoje que cada ministro é responsável pelas informações em seu currículo e que o gabinete tem como função examinar apenas antecedentes criminais, contas irregulares e histórico de processos dos novos componentes do governo.

O post no Twitter veio após o pedido de demissão de Carlos Decotteli do Ministério da Educação, por conta de "incongruências" em seu currículo Lattes.

"Aos desinformados: o GSI/ABIN examinam, sobre quem vai ocupar cargos no Governo, antecedentes criminais, contas irregulares e pendentes, histórico de processos e vedações do controle interno. No caso de Ministros, cada um é responsável pelo seu currículo", escreveu.

Nomeado ministro da Educação na última quinta-feira (25), Carlos Alberto Decotelli entregou sua carta de demissão hoje e será exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) depois das acusações de que ele enfeitou o currículo com cursos acadêmicos não realizados. A informação foi confirmada pelo UOL.

O demissionário deixa o cargo antes mesmo de tomar posse. O atual secretário-executivo do ministério, Antônio Paulo Vogel, deve assumir a função interinamente. Antes de Decotelli, ele havia cumprido função semelhante.

O agora ex-ministro é economista, reservista da Marinha e se apresentava com uma larga experiência acadêmica, o que incluiria, segundo ele, os títulos de doutor pela Universidade de Rosário, na Argentina, e de pós-doutorado pela Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

No entanto, após a nomeação, as duas instituições contestaram suas informações curriculares. O reitor da Universidade de Rosário, Franco Bartolacci, disse que Decotelli não concluiu o doutorado. Já a instituição alemã negou que ele tenha cursado pós-doutorado.

Após os questionamentos, o então ministro se apressou em fazer alterações em seu currículo disponível na plataforma Lattes. As controvérsias criaram um clima de pressão política que resultaram na queda de Decotelli.

A última pá de cal na passagem relâmpago pela chefia do MEC veio quando a FGV (Fundação Getúlio Vargas) negou que ele teria sido professor da universidade. A notícia irritou Bolsonaro e acirrou o lobby pela queda do ex-ministro.

O presidente chegou a elogiar o ministro publicamente, ontem à noite, e indicou que poderia bancá-lo no cargo. Segundo o mandatário, o subordinado estaria "enfrentando todas as formas de deslegitimação". Ressaltou, por outro lado, que Decotelli estava ciente de seu "equívoco" e do mal-estar causado por "inadequações curriculares".

Auxiliares, principalmente os ligados ao núcleo militar, ficaram incomodados com o desgaste trazido pelo novo ministro.

Além dos títulos não obtidos, Decotelli também exagerou ao se autodenominar oficial da Marinha, segundo revelou hoje a colunista do UOL Thaís Oyama.

Na verdade, ele pertence à categoria da reserva de Segunda Classe da Marinha — é um "RM2". Isso significa que ingressou sem concurso na Força para prestar lá um serviço militar temporário (no caso do ministro, um período bastante curto).

Ao contrário dos militares de carreira, os temporários não passam pelas escolas de formação de oficiais e vão para a reserva sem remuneração.

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