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Bolsonaro estuda situação de ministro da Educação e avalia novos nomes

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Educação Carlos Alberto Decotelli - Marcos Corrêa/PR
O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Educação Carlos Alberto Decotelli Imagem: Marcos Corrêa/PR
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

do UOL

e Hanrrikson de Andrade

29/06/2020 18h58Atualizada em 29/06/2020 21h20

O presidente Jair Bolsonaro "está estudando" a situação do novo ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, e já conta com uma "lista" de nomes que possam assumir o lugar do titular do MEC caso a posse não seja efetiva.

O desgaste gerado pelo fato de o currículo de Decotelli apresentar inconsistências, segundo um auxiliar direto do presidente, foi um tema constante nesta segunda-feira. "O presidente não ficou satisfeito com a situação", disse este interlocutor de Bolsonaro.

Questionado sobre os nomes que estão na mesa, esse auxiliar afirmou - que como já existia na semana passada - "há uma lista de nomes". A ideia, porém, é não tomar nenhuma decisão precipitada e avaliar a real situação de Decotelli.

A nomeação de Decotelli foi publicada em edição extra do Diário Oficial na quinta-feira (25), após anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro. O governo planejava uma solenidade de posse nesta terça-feira (30), mas a realização do evento ainda não está confirmada.

No fim da tarde desta segunda-feira, Bolsonaro recebeu Decotelli para uma reunião no Palácio do Planalto.

Um auxiliar do núcleo militar, que chancelou o convite para Decotelli fazer parte do governo, informou que o ainda ministro não é um militar de carreira. "Ele não é da Marinha. Fez um curso no CIORM (Centro de Instrução de Oficiais da Reserva da Marinha) há muitas décadas atrás e não seguiu carreira", disse.

Um general que não atua diretamente no governo, mas possui interlocução com o presidente e ministros, disse que a situação é "lamentável". "Essa questão do currículo apresentado ter incoerências é muito ruim. E infelizmente, o presidente ainda está na defensiva", avaliou.

Outro auxiliar do presidente, mais ligado ao Congresso, ponderou que, apesar do desgaste, Decotelli não está descartado. "Acho que ele ainda pode ficar", disse.

Olavistas em movimento

A possível queda de Decotelli recoloca os olavistas no xadrez político que se dá ao redor da cúpula bolsonarista. O escolhido para o MEC chegou ao cargo indicado e chancelado pelos militares, rivais da ala ideológica, e sua provável saída, motivada por uma série de equívocos curriculares, impacta a relação de confiança entre o presidente e os generais.

Os olavistas, que tinham sido preteridos no "processo seletivo" que Bolsonaro adotou antes da escolha de Decotelli, voltaram a exercer pressão, intermediada pelo filho do mandatário, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). A chefia do MEC é um anseio antigo dos seguidores do ideólogo Olavo de Carvalho.

Um dos nomes mais fortes entre os componentes do núcleo ideológico é o de Sérgio Sant'ana, ex-auxiliar de Abraham Weintraub e amigo de Eduardo. Quem também foi recolocado à baila é o novo secretários de Alfabetização, Carlos Nadalim.

Errata: o texto foi atualizado
Sérgio Sant'ana é ex-assessor especial de Abraham Weintraub e não escritor como havia sido informado. A informação foi corrigida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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