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Governo do Rio publica decreto com flexibilização de quarentena apesar de casos crescentes

06/06/2020 12h37

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Estado do Rio de Janeiro começou a flexibilizar a quarentena sobre várias atividades econômicas e produtivas neste sábado depois de quase três meses de medidas de isolamento social, informou o governo fluminense, que liberou pontos turísticos, shopping centers, jogos de futebol, e o funcionamento de bares de restaurantes.

As autorizações fazem parte de um decreto publicado em edição extraordinária no Diário Oficial do Estado no fim da noite de sexta feira, mas algumas decisões entram em choque com planos dos municípios do Estado.

A capital, por exemplo, começou a liberar as atividades na última terça-feira e o modelo de abertura é feito em seis etapas, de forma que se não houver um recrudescimento de casos a expectativa do governo municipal é que a cidade volte à normalidade em agosto. Segundo a prefeitura do Rio, apesar do decreto do governador Wilson Witzel, por enquanto o plano de reabertura da cidade segue mantido.

"Os municípios têm autonomia para regulamentar as medidas de restrição, de acordo com a realidade de cada um", afirmou a prefeitura do Rio de Janeiro, em comunicado à imprensa. "A prefeitura segue o plano por fases, avaliando diariamente as curvas com o comitê científico, deixando claro que pode inclusive recuar se curvas subirem", acrescentou.

A primeira fase do plano da cidade do Rio de Janeiro não contempla a abertura de shoppings, bares, restaurantes e jogos de futebol. Essa retomada ficaria para a partir da segunda quinzena deste mês, diferentemente do que autoriza o decreto estadual.

Pelo decreto fluminense, que tem abrangência para os 92 municípios do Estado e respeita competências municipais, bares e restaurantes podem abrir com 50% da capacidade; os shoppings podem abrir em horário reduzido, mas cinemas e áreas de lazer dos empreendimentos permanecerão fechados. As atividades esportivas de alto rendimento também ficam liberadas desde que não haja presença de público.

As praias estão liberadas apenas para atividades esportivas individuais.

Os principais pontos turísticos do Rio - Pão de Açúcar e Cristo Redentor - também poderão voltar a funcionar com capacidade limitada, de acordo com o decreto estadual.

As atividades religiosas também foram autorizadas pelo Estado, mas na cidade elas estão proibidas presencialmente, por decisão judicial. Já as aulas nas escolas públicas e privadas seguem suspensas pelo menos até 21 de junho.

O governador alegou que a abertura foi possível por conta do achatamento na curva de contágio da covid 19, redução na fila de internação e no número de casos da doença. Porém, o número de casos e de mortos por coronavírus aumentou mais de cinco vezes entre o início de maio e o começo de junho. Enquanto isso, dos sete hospitais de campanha prometidos para o Estado apenas um está funcionando, do Maracanã, e estudos de Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Fiocruz alertam para o risco de uma reabertura prematura.

Até sexta-feira, o Estado do Rio de Janeiro contabilizava 63.066 casos de coronavírus e 6.473 mortos pela doença.

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