PUBLICIDADE
Topo

Conferência de doadores do Iêmen arrecada metade da ajuda necessária

02/06/2020 17h17

Riade, 2 Jun 2020 (AFP) - A ONU arrecadou apenas metade dos US$ 2,4 bilhões que queria arrecadar para ajudar o Iêmen, um país devastado pela guerra que enfrenta uma catástrofe humanitária por coronavírus, nesta terça-feira em uma conferência de doadores organizada com a Arábia Saudita.

"Um total de doadores anunciou um total de US$ 1,35 bilhão em doações para a resposta humanitária no Iêmen, incluindo a luta contra a COVID-19", disse uma porta-voz da ONU a jornalistas.

A conferência de doadores coincidiu com avisos de organizações humanitárias de que a rápida disseminação do coronavírus poderia agravar ainda mais a terrível crise humanitária deixada por seis anos de guerra.

"Estamos em uma corrida contra o tempo. Combater a COVID-19 mais a emergência humanitária já existente exige ação urgente", disse o secretário-geral da ONU, António Guterres, durante a teleconferência.

"As agências estimam que precisam de 2,41 bilhões de dólares para ajudas essenciais de junho a dezembro, incluindo programas de combate à COVID-19", especificou.

Desde março de 2015, a Arábia Saudita lidera uma intervenção militar contra os rebeldes houthis apoiados pelo Irã. No entanto, a coalizão é acusada da morte de dezenas de milhares de civis em atentados.

A guerra deixou dezenas de milhares de mortos, a maioria civis, e de acordo com a ONU, que descreve a situação como a pior catástrofe humanitária, cerca de 24 milhões de iemenitas, mais de dois terços da população, dependem de ajuda para sobreviver.

Riade prometeu doar US$ 500 milhões em ajuda, enquanto o Reino Unido, um importante fornecedor de armas para a Arábia Saudita, ofereceu um novo pacote de ajuda ao Iêmen de 200 milhões de dólares. Os Estados Unidos, outro grande fornecedor de armas do reino, prometeram US$ 225 milhões. A Alemanha prometeu US$ 139 milhões.

O combate à pandemia exigiria US$ 180 milhões, segundo o subsecretário de Assuntos Humanitários da ONU Mark Lowcock, que participou da videoconferência, como o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, Fayçal bin Farhan.

A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou que o Iêmen está caminhando para uma "catástrofe" devido à pandemia, uma vez que suas infraestruturas não são fortes o suficiente para lidar com o novo coronavírus.

A ONU indicou que a doença praticamente se espalhou pela maior parte do país, embora o governo do Iêmen tenha relatado apenas algumas centenas de casos.

burs-ac/dm/hc/fz/kaf/af/jvb-mar/cc

Notícias