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Weintraub "extrapolou" em falas na reunião ministerial, diz Bolsonaro

Presidente Jair Bolsonaro criticou a publicação de trechos do vídeo que não foram citados por Moro no depoimento - Foto: AFP
Presidente Jair Bolsonaro criticou a publicação de trechos do vídeo que não foram citados por Moro no depoimento Imagem: Foto: AFP
do UOL

Do UOL, em São Paulo

28/05/2020 22h51

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) reconheceu hoje que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, "extrapolou" em suas falas na reunião ministerial de 22 de abril, tornadas públicas na última semana após decisão do ministro Celso de Mello, no STF, no âmbito do inquérito que apura suposta interferência presidencial na Polícia Federal.

"Weintraub jamais falaria aquilo num ambiente como o nosso agora ou numa reunião aberta, mas era reservada, eu sou uma pessoa que fala palavrões o tempo inteiro, ele extrapolou ali, mas é um negócio reservado, a Damares mostrou sua indignação ali com a prisão de pessoas na praia, em praça pública, falou que ia prender prefeitos e governadores, não quis dizer prender, era entrar com ação, teve o Salles que falou da porteira e da boiada, o que ele quer? Jamais se expressaria assim em publico, ele quer desregulamentar muita coisa", disse Bolsonaro na tradicional live de quinta-feira no Facebook.

O ministro da Educação disse que, por ele, "botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF". Nesta semana, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou que Weintraub seja ouvido pela Polícia Federal sobre as declarações.

"A manifestação do Ministro da Educação revela-se gravíssima, pois, não só atinge a honorabilidade e constituiu ameaça ilegal à segurança dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, como também reveste-se de claro intuito de lesar a independência do Poder Judiciário e a manutenção do Estado de Direito", afirmou Moraes na decisão.

Nas redes sociais, Weintraub já disse que a fala foi um "desabafo" que não era "pensado" e justificou por ser a reunião ministerial um evento fechado.

"Esse desabafo não foi um discurso pensado. Eu estava em uma reunião FECHADA e todos tiveram que entrar sem celular. Sou realmente um cara sincero e educado, como podem constatar", escreveu o ministro da Educação.

Na live de hoje, Bolsonaro criticou a decisão de Celso de Mello levantar o sigilo de quase todo o vídeo, e não apenas os trechos citados pelo ex-ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) em depoimento à PF no começo do mês.

"Entreguei (o vídeo) com coração, pedi para cortar, da minha parte podia mostrar tudo, a exceção de dois pedacinhos ali que eu tratava ali de questões que não era para ser pública, nessa parte Celso de Mello tirou fora. Agora, ao divulgar falar da conversa toda, não tinha nenhuma relação de causa com o inquérito, teve problemas", disse Bolsonaro.

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