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Peugeot e Citroën: quais valem a pena ter e os modelos que são 'roubadas'

Peugeot 208 2017 - Divulgação
Peugeot 208 2017 Imagem: Divulgação
Felipe Carvalho

Felipe Carvalho é administrador de empresas, consultor e primeiro "caçador de carros" profissional do país. Seu canal no YouTube dedicado a avaliações de achados automotivos tem mais de 100 mil inscritos. www.youtube.com/CarrosdoPortuga

do UOL

Colunista do UOL

28/05/2020 04h00

Estou sempre em uma relação de amor e ódio com os carros franceses, mais especificamente com os do grupo PSA - que sob seu guarda-chuva as marcas Peugeot e Citroën. Já escrevi várias vezes sobre eles, algumas delas pegando no pé de recorrentes problemas mecânicos, outras apenas admirando a beleza desses modelos.

Nos últimos anos, a balança estava pendendo mais para o ódio. As reclamações dos proprietários estavam cada vez mais evidentes, não só em sites especializados, mas também na boca do povo.

Até mesmo quem não se interessa por carros e pouco entende sobre eles acaba difundindo a ideia de que os modelos de Peugeot e Citroën não são bons, por ter ouvido isso de alguém. Essas informações, somadas com insatisfações de alguns dos meus clientes, fizeram com que eu parasse de recomendar a compra dessas marcas.

Porém, o mundo gira, as coisas mudam, e não podemos ficar parados no tempo. Ao que tudo indica, a PSA tem se empenhado para melhorar a imagem, mas não apenas com marketing. Os produtos e serviços estão melhores e, em breve, colherão os frutos desse caminho que decidiram seguir.

Ainda precisam melhorar a forte desvalorização e baixa liquidez no mercado de usados, mas isso ainda é reflexo do baixo grau de satisfação dos proprietários. Na medida em que a frota dos usados for se renovando com esses modelos mais atuais, isso deve se inverter.

Na semana passada aconteceu algo que fez voltar a enxergar esses franceses com bons olhos. Tive a oportunidade de avaliar um Peugeot 207 com motor 1.6 16v e câmbio manual.

Esse pequeno hatch com apenas sete anos de uso custou R$ 20 mil para o meu cliente - e aqui está a grande vantagem desses carros no mercado de usados. Paga-se tão barato por tudo que entregam que fica até mais fácil tolerarmos os chatos probleminhas crônicos que eles têm.

Nesta coluna vou citar alguns Peugeots e Citroëns que ainda valem a pena, e outros que é melhor deixar de lado.

Maus negócios

Transmissão automática de 4 marchas

Citroën C3 - Divulgação - Divulgação
Citroën C3 teve câmbio automático de 4 marchas até meados de 2017
Imagem: Divulgação

De longe, esse é o maior problema desses franceses, que manchou a imagem dos modelos que dispensam o pedal de embreagem. A famosa caixa AL4, equipou vários franceses nas últimas duas décadas, incluindo modelos da Renault. Essa transmissão dá tanto problema que é o carro-chefe de oficinas especializadas em câmbio automático.

Se você não sabe qual o câmbio do modelo específico que está procurando, basta fazer uma consulta referente ao ano e versão. Se for o de 4 marchas, fuja enquanto ainda dá tempo.

Motor 1.4

Peugeot 206 - Divulgação - Divulgação
206 e C3 tiveram problemas com motor 1.4
Imagem: Divulgação

Quando foi apresentado nos modelos 207 e C3, o motor 1.4 tinha tudo para dar certo. De concepção simples e manutenção barata, é mais forte que qualquer motor 1.0 aspirado e relativamente econômico no consumo de combustível. Mas ele enfrenta um problema crônico na junta do cabeçote, que faz com que o líquido de arrefecimento se misture com o óleo, algo péssimo para o funcionamento do motor.

A resolução desse problema passa dos R$ 3 mil, algo que pesa bastante para quem é dono de um carro de menos de R$ 20 mil. Porém, com histórico de que esse reparo já foi feito pelo dono anterior, 207 e C3 com esse motor voltam a ser interessantes opções no mercado de usados.

Motor THP gasolina

Motor THP - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
Motor THP é movido só a gasolina nos carros importados
Imagem: Murilo Góes/UOL

Os modelos com motor THP são ótimos de guiar. Toda a força do motor está disponível desde as baixas rotações e se mantém linear. É daqueles carros que, ao pisar fundo no acelerador, o corpo gruda no banco. O câmbio pode ser manual ou automático, sempre com 6 marchas.

Onde está o problema? Mais uma vez no custo de peças e mão de obra para reparar problemas crônicos, que aparecem em praticamente todos os casos desses motores THP à gasolina.

Quem quer arriscar em um desses carros tem garantia de sorriso no rosto na dirigibilidade, mas precisa ter uma boa relação de amizade com o mecânico. Não são raros os casos de manutenções na casa dos R$ 6 mil ou mais somente na parte do motor. Pelo menos estão cada vez mais baratos no mercado de usados.

Antigos

Peugeot 306 - Divulgação - Divulgação
Peugeot 306 fez muito sucesso nos anos 90
Imagem: Divulgação

Amo carros franceses dos anos 90, mas não posso recomendá-los como boas compras. São frágeis mecanicamente e em peças de acabamento, além de terem vendido pouco por aqui. Ou seja, a dificuldade para se conseguir peças de reposição é muito grande. Não dá para encarar, mas se ainda assim você quiser insistir, tem todo meu respeito e admiração por sua coragem. Me chame para gravar um vídeo dele.

Bons negócios

Transmissão automática de 6 marchas

Câmbio do Citroën C3 - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
C3 demorou, mas ganhou câmbio de seis marchas
Imagem: Murilo Góes/UOL

Antes tarde do que nunca! A insistência na caixa de 4 marchas durou muitos e muitos anos, mas felizmente a PSA foi, aos poucos, substituindo-as pelas robustas caixas de 6 marchas. Hoje, todos os modelos são equipados com esse câmbio. Aqui, não temos relatos de problemas crônicos, o que deixou para o passado a má fama dos franceses automáticos.

Motor 1.2 Pure Tech

Motor Puretech 1.2 - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
Motor Puretech 1.2 equipa 208 e C3
Imagem: Murilo Góes/UOL

Esse é um dos melhores motores que temos no nosso mercado. Segue a tendência de motores com 3 cilindros, mas diferentemente da maioria, que tem apenas 1 litro, aqui ele é um pouquinho maior. Sendo assim, entrega ótimo desempenho para a categoria, sem ter que recorrer ao turbo - que é bem legal, mas obviamente despende mais com manutenção.

O consumo é dos melhores, tendo relatos de marcas na casa dos 20 km/l em rodovia. É uma excelente opção no mercado de usados, e eu acredito que serão os PSA com menor índice de desvalorização nos próximos anos.

Motor 1.6 16v

Citroën C3 1.6 16V - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
Motor 1.6 16V de modelos como C3 tem suas qualidades
Imagem: Murilo Góes/UOL

É da mesma família do já citado motor 1.4, mas não sofre do mesmo problema na junta do cabeçote. Na verdade, é um motor reconhecidamente bom pelos mecânicos. O projeto é antigo, lá dos anos 80, portanto o motor não é dos mais eficientes.

Mas, deixando isso de lado, a relação custo/diversão é das melhores. Se atente apenas ao câmbio, pois muitos desses 1.6 16v foram equipados com a caixa automática AL4, que eu já citei.

Motor THP flex

Citroën C4 Cactus THP Flex - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
C4 Cactus foi modelo mais recente com motor THP flex
Imagem: Murilo Góes/UOL

Para os modelos 2015, a PSA melhorou bastante o motor THP. Na verdade, esse motor sempre foi bom, mas sofreu com nosso combustível ruim nos primeiros anos, quando era monocombustível. Ao torná-lo flex, tropicalizou componentes importantes, justamente aqueles que citei que eram problemáticos e quebravam o bolso do proprietário.

Sabemos que ainda é um motor complexo, que obviamente requer mais atenção com manutenção, mas agora está bem mais tranquilo ter um THP na garagem.

Cuidados com todos

Independentemente do ano, versão, motor ou transmissão, os franceses da Peugeot e Citroën sofrem bastante com nossas ruas. Ainda não vi, nem mesmo nos modelos mais novos, um compromisso maior com a robustez das peças que compõe a suspensão desses carros.

Portanto, no momento que estiver avaliando um francês usado, se atende bastante à qualidade dos amortecedores, buchas, terminais e caixa de direção, que são as peças que mais dão problemas nesses carros. Caso não saiba avaliar, peça ajuda a alguém que entenda disso.

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