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Ele virou criptomoeda e vendeu parte do seu futuro por R$ 105 mil

O empreendedor Alex Masmej - Reprodução/Instagram
O empreendedor Alex Masmej Imagem: Reprodução/Instagram
do UOL

Lucas Gabriel Marins

Colaboração para o UOL, em Curitiba

28/05/2020 04h00

Você venderia seu futuro profissional por algumas centenas de dólares? O empreendedor francês Alex Masmej, 23, sim.

Ele criou uma criptomoeda chamada $Alex, disponibilizou o ativo digital em uma plataforma blockchain e saiu por aí oferecendo seus pedaços. É como se ele tivesse virado uma criptomoeda, como o bitcoin. Em cinco dias, ele arrecadou cerca de US$ 20 mil (R$ 105 mil), pagos por 30 investidores.

Compradores terão direito a 15% de seus ganhos

Quem comprou um pedaço de $Alex terá direito a 15% de tudo o que ele ganhar nos próximos três anos (no limite de US$ 100 mil ou R$ 528 mil), poderá votar em decisões da sua vida e ainda usar suas redes sociais para divulgação.

Masmej prevê que, ao longo dos próximos anos, consiga devolver até cinco vezes o valor investido para quem acreditou nele.

"Para conseguir isso, pretendo lançar um projeto no Vale do Silício, na Califórnia (EUA), na área de criptomoedas", disse à reportagem do UOL, por meio de entrevista na ferramenta de teleconferência Zoom.

Investir em desconhecidos é arriscado

O que Masmej fez foi basicamente um ICO (oferta inicial de moedas digitais), que é uma espécie de IPO (oferta inicial de ações de uma empresa).

A diferença é que o empresário, em vez de ter oferecido "pedaços" de uma companhia ou projeto, vendeu a si mesmo. A prática tem ganhado o nome de "tokenização humana" ou "IPO humano".

O problema dos ICOs, sejam humanos ou não, é que eles são um prato cheio para criminosos. Isso porque qualquer um pode se aventurar a lançar um projeto, já que existem plataformas disponíveis no mercado, e porque não há regulação sobre o tema.

Um golpista, portanto, poderia criar um suposto ativo digital, vender, pegar o dinheiro e sumir do mapa.

Masmej disse ao UOL que não faria isso, pois mancharia sua imagem no meio da comunidade de empreendedores de criptomoedas, da qual ele depende.

A honestidade nesse tipo de negócio, no entanto, não é a regra. Um relatório de 2018 da consultoria norte-americana Satis Group, por exemplo, informou que cerca de 80% dos ICOs lançados no mundo em 2017 eram esquemas fraudulentos.

Como minimizar os riscos, segundo CEO de corretora

Beibei Liu, CEO da exchange NovaDAX, disse ao UOL que todo ICO deve ser encarado como um investimento de risco. Isso porque o responsável pelo projeto pode falhar ou não conseguir realizar todas as promessas. No caso de Masmej, por exemplo, não há nenhum tipo de contrato. O acordo foi apenas verbal, feito por meio das redes sociais dele.

Para diminuir o risco e a possibilidade de o negócio ser apenas um esquema fraudulento, Liu disse que os interessados precisam estudar bem o passado dos profissionais envolvidos.

"É ideal verificar as experiências dessas pessoas e seus perfis nas redes sociais. Sugiro também evitar apostar em projetos de desenvolvedores anônimos. Além disso, recomendo que se analise se há apoio da comunidade para a proposta."

CVM recomenda análise no site da instituição

No Brasil, um ICO, a depender da forma como foi criado e das promessas feitas aos investidores, pode ser considerado um valor mobiliário, como ações, cotas de fundos de investimentos etc.

Se esse for o caso, segundo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), o projeto precisaria receber aprovação da instituição, que é o órgão responsável por regular o mercado de capitais no Brasil.

A CVM recomenda que os potenciais investidores verifiquem em seu site "se a empresa ou pessoa ofertante é emissor registrado ou se a oferta foi registrada ou dispensada". Isso, segundo o órgão, poderia também diminuir o risco de fraude.

Mas na prática a CVM disse que até agora, nenhuma oferta de ICO foi registrada nem dispensada de registro no órgão, o que não ajuda na verificação de eventuais golpes.

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