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Tripulante de cruzeiro bloqueado devido a pandemia morre em aparente suicídio

27/05/2020 18h37

Miami, 27 Mai 2020 (AFP) - Um tripulante de um cruzeiro da Virgin Voyages morreu na semana passada de "dano auto-infringido", informou à AFP nesta quarta-feira a Guarda Costeira americana, confirmando o mais recente de uma série de aparentes suicídios de funcionários presos a bordo durante a pandemia do novo coronavírus.

A Guarda Costeira indicou à AFP que um tripulante filipino de 32 anos morreu de "aparente dano auto-infringido" a bordo do Scarlet Lady, único transatlântico da Virgin Voyages. "Foi a informação que recebemos", disse um porta-voz dos guardas da região sudeste.

Porta-vozes da Virgin Voyages, empresa com sede na Flórida fundada pelo multimilionário britânico Richard Branson, lamentaram a morte a bordo, mas não forneceram detalhes.

O transatlântico, que seria inaugurado em março, está parado em frente à costa da Florida com tripulantes a bordo desde o começo da pandemia. Segundo o blog especializado Cruise Law News, que revelou o caso, citando fontes na embarcação, não está claro quando ocorreu a morte do tripulante, que trabalhava na limpeza do hotel do navio.

O imponente "Scarlet Lady", visto na última sexta-feira no porto de Miami, ancorou para poder desembarcar o corpo, segundo o blog e o jornal local "Miami Herald".

As operadoras de cruzeiros enfrentam grande dificuldade para repatriar dezenas de milhares de tripulantes que estão há mais de dois meses sem desembarcar e que não têm previsão de voltar para suas casas.

As repatriações dependem, em grande parte, das medidas sanitárias de cada porto e das restrições a viagens nos países de destino, alguns dos quais não permitem a entrada nem mesmo de seus cidadãos.

Com este caso, chega a seis o número de tripulantes que morreram em maio a bordo de transatlânticos de causas não relacionadas à pandemia, cinco deles em aparentes suicídios.

Embora as empresas tenham repatriado milhares de tripulantes, restam quase 60 mil a bordo de 90 transatlânticos apenas em águas americanas, segundo cifras da Guarda Costeira. O Miami Herald calcula que haja 100 mil tripulantes bloqueados em todo o mundo.

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