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Sem lockdown, mortes em São Paulo quadruplicariam em julho, aponta estudo

José Paulo Kupfer

Jornalista profissional desde 1967, foi repórter, redator e exerceu cargos de chefia, ao longo de uma carreira de mais de 50 anos, nas principais publicações de São Paulo e Rio de Janeiro. Eleito “Jornalista Econômico de 2015” pelo Conselho Regional de Economia de São Paulo/Ordem dos Economistas do Brasil, é graduado em economia pela FEA-USP e integra o Grupo de Conjuntura da Fipe-USP. É colunista de economia desde 1999, com passagens pelos jornais Gazeta Mercantil, Estado de S. Paulo e O Globo e sites NoMinimo, iG e Poder 360.

do UOL

22/05/2020 18h59

Se a atual política de distanciamento, em vigor no estado de São Paulo, for mantida até fim de junho, o número de mortos por covid-19, em relação ao total registrado até esta sexta-feira (22), praticamente dobraria em junho, avançando de 5,7 mil para 11,2 mil, e mais do que quadruplicaria, até o fim de julho, passando de 33 mil. Para evitar mais óbitos, nesse cenário, serão necessários, apenas em São Paulo, mais mil leitos de UTI, em junho, e outros 7 mil, em julho.

Estas são as conclusões de um estudo preliminar sobre a evolução das infecções por covid-19, no estado de São Paulo, de autoria do economista Naercio Menezes-Filho e do pesquisador do Insper Bruno Kawaoka Komatsu. Naercio, professor do Insper e da Faculdade de Economia, da USP, é referência na área da economia da educação.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) declarou, nesta sexta-feira (22), que a América do Sul se transformou num novo epicentro da pandemia de covid-19 e alertou que o Brasil é país mais afetado da região. Em seu informe diário, a entidade informou que as mortes no Brasil, nas últimas 24 horas, representam um quarto do total registrado no mundo.

Com base em modelo matemático de projeção epidemiológica, Naercio Menezes e Bruno Komatsu sugerem a adoção de medidas de confinamento obrigatório (lockdown) em junho. Uma ressalva importante é que a taxa de contágio considerada, de 3, foi a do início da pandemia. Hoje, em São Paulo, sob efeito das medidas de distanciamento adotadas, a taxa de contágio se encontra na metade daquele índice anterior. Mas só com a taxa de contágio abaixo de 1 é que se conseguirá reverter a ascensão da curva de infectados, aliviando, em consequência, a pressão sobre o sistema de saúde e o acúmulo de mortes.

Com um confinamento mais rígido, o número acumulado de mortes, no mês que vem e em julho, somaria 4 mil, metade em cada mês, e a necessidade de leitos em UTI se limitaria a 700 vagas adicionais, no bimestre. Somente nesses dois próximos meses, portanto, a diferença entre o distanciamento poroso vivido em São Paulo no momento e um trancamento mais forte de atividades e deslocamentos, a partir de junho, significaria poupar pelo menos oito mil vidas, no estado.

Parte da redução de óbitos se daria em razão da descompressão da utilização de leitos em UTIs. Com o distanciamento no padrão atual, o déficit de leitos de UTIs, no fim de julho, em comparação com o total disponível agora, alcançaria 3 mil leitos. São Paulo dispõe, no momento, de cinco mil leitos de UTIs, dos quais apenas 30%, o equivalente a 1,5 mil, encontram-se disponíveis.

A demora em adotar medidas mais duras de restrição de circulação de pessoas tem sido crucial para o aumento do número de infectados e de mortes por covid-19. Estudo divulgado nesta quarta-feira (21) pela Universidade de Columbia, contabiliza 36 mil mortes a mais do que ocorreriam se o distanciamento fosse iniciado uma semana antes. Se as restrições tivessem sido iniciadas no primeiro dia de março, 54 mil vidas teriam sido poupadas. Já são quase 95 mil mortes e 1,5 milhão de infectados, nos Estados Unidos.

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