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General Heleno cria nuvem negra para a democracia ao atacar STF

22.fev.2019 - Jair Bolsonaro e general Augusto Heleno durant reunião sobre Venezuela -  Marcos Corrêa/PR
22.fev.2019 - Jair Bolsonaro e general Augusto Heleno durant reunião sobre Venezuela Imagem: Marcos Corrêa/PR
Carla Araújo

Jornalista formada em 2003 pela FIAM, com pós-graduação na Fundação Cásper Líbero e MBA em finanças, começou a carreira repórter de agronegócio e colaborou com revistas segmentadas. Na Agência Estado/Broadcast foi repórter de tempo real por dez anos em São Paulo e também em Brasília, desde 2015. Foi pelo grupo Estado que cobriu o impeachment da presidente Dilma Rousseff. No Valor Econômico, acompanhou como setorista do Palácio do Planalto o fim do governo Michel Temer e a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência.

do UOL

Do UOL, em Brasília

22/05/2020 19h23

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, não representa as Forças Armadas, não fala pelo Exército, mas hoje quis e falou pelo presidente Jair Bolsonaro.

Heleno vinha perdendo protagonismo nas decisões presidenciais, enquanto crescia a força dos outros dois generais - um ainda na ativa - que formam a ala militar palaciana. Nesta sexta-feira (22), ao escrever uma "Nota à Nação Brasileira" e falar em "consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional", o ministro faz uma ameaça. E não foi velada.

A palavra imprevisível não foi escolhida à toa. Militares têm por hábito zelo e cuidado com a escolha das mensagens. A palavra também faz parte de uma guerra. O governo do presidente Jair Bolsonaro já elegeu algumas batalhas, incluindo a de narrativas.

O que Heleno quis falar à nação é que o ministro Celso de Mello teria extrapolado o poder ao ter pedido de apreensão do celular do presidente da República. Mas o ministro do STF fez apenas o seu trabalho.

Manifestou-se em uma ação pedindo análise da Procuradoria-Geral da República. É um trâmite burocrático, não é uma "perseguição". Não é de hoje, é fato, que o Supremo já mostrou que há sangue político por ali, mas, no caso em questão, me parece que o decano está apenas levando adiante investigações de supostos crimes cometidos pelo presidente.

Vídeo torna cenário "imprevisível"

No vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, divulgado hoje justamente por Celso de Mello, o presidente pede que ministros "não falem com a imprensa", xinga, defende armar a população, ouve barbaridades das autoridades que, com ele, comandam o país. Creio que realmente torna o cenário político do país algo "imprevisível".

Na quarta-feira, Heleno rechaçou publicamente a possibilidade de uma "intervenção" ou de um golpe militar.

Hoje, o ministro aponta que o cenário pode ficar incerto a ponto de ter que mudar de opinião.

Não se gosta de lembrar o golpe e a ditadura entre os militares. Boa parte do generalato atual tem um discurso de que estão "a serviço da pátria".

A nota teve apoio de alguns generais e auxiliares do governo e encontrou eco no universo bolsonarista.

No entorno de Heleno, alguns generais que conhecem o colega há muitos anos, admitiram preocupação com as consequências.

"Acho que não caberia a ele e sim a AGU (Advocacia-Geral da União) emitir uma nota dentro dos padrões jurídicos. Isto pode se transformar em nuvens negras para nossa democracia", avaliou um colega general que conhece bem o atual ministro do GSI.

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