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Revista Lancet chama Bolsonaro de maior ameaça à luta contra covid no país

12.dez.2019 - O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores ao sair do Palácio da Alvorada - Pedro Ladeira/Folhapress
12.dez.2019 - O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores ao sair do Palácio da Alvorada Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
do UOL

Marcelo Oliveira

Do UOL, em São Paulo

07/05/2020 16h07Atualizada em 11/05/2020 13h16

Resumo da notícia

  • The Lancet diz que Bolsonaro é a maior ameaça contra o combate à covid-19 no Brasil
  • Para a revista, ou o presidente repensa seus atos ou deve ser o próximo a sair
  • Publicação aponta que o Brasil é o país com o índice de transmissão da covid-19 mais veloz do mundo

Editorial da próxima edição da revista científica The Lancet, uma das mais importantes na área médica do mundo, classifica o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como "a maior ameaça à resposta do Brasil à covid-19". A publicação sugere que ele mude sua conduta ou seja "o próximo a sair".

Em texto da edição de 9 de maio, já disponível para assinantes, a revista editada no Reino Unido destaca que o Brasil é o país com mais infecções e mortes pela doença (135.106 casos e 9.146 mortes) na América Latina e diz que esses números são "provavelmente substancialmente subestimados".

A revista ainda prevê piora do cenário nos próximos dias e relembra que recente estudo do Imperial College, de Londres, apontou que o Brasil é o país com o mais alto índice de transmissão de covid-19 no mundo (2,81, ou seja, cada infectado transmite a doença para mais três pessoas) e que a epidemia, antes restrita às maiores cidades do país, se alastra pelo interior, sem leitos de UTI e com poucos respiradores.

Editorial da revista The Lancet acusa Bolsonaro de ser a maior ameaça ao combate à covid-19 no Brasil - Reprodução
Editorial da revista The Lancet acusa Bolsonaro de ser a maior ameaça ao combate à covid-19 no Brasil
Imagem: Reprodução

A revista cita ainda o episódio da semana passada quando o presidente foi questionado por jornalistas sobre o rápido crescimento das mortes pela doença e respondeu: "e daí? Lamento quer que eu faça o quê?".

"Ele não apenas continua a semear confusão ao abertamente desencorajar as medidas de distanciamento social e quarentena determinadas por governadores estaduais e prefeitos, mas também perdeu dois importantes e influentes ministros nas últimas três semanas".

Segundo a publicação, as saídas de Luiz Henrique Mandetta (DEM) da Saúde e de Sergio Moro da Justiça "são desarranjos no coração da administração no meio de uma emergência de saúde pública e são também sinais claros de que a liderança brasileira perdeu sua bússola moral, se é que um dia teve".

O editorial cita também as péssimas condições sanitárias das favelas e as invasões perpetradas por madeireiros, fazendeiros e garimpeiros em território indígena, cuja população já vivia ameaçada antes da pandemia e que agora tem a doença trazida pelos invasores. A publicação cita a carta aberta liderada pelo fotógrafo Sebastião Salgado que chamou a situação de "genocídio em andamento".

A revista fala também dos chamados por união emitidos pela comunidade científica e pela sociedade civil e destaca os panelaços contra Bolsonaro - a imagem desses protestos ilustra o editorial.

A publicação elogiou e chamou de "ações esperançosas" o esforço de cientistas brasileiros que têm publicado artigos de ciência básica e epidemiologia e destacou que houve uma rápida produção de equipamentos de proteção individual, respiradores e testes.

The Lancet, adverte, contudo, ao final do editorial que "a liderança no mais alto nível de governo é crucial para rapidamente reverter o pior resultado dessa pandemia" e relembrou artigo de 2009 publicado sobre o sistema de saúde brasileiro na qual analisou que a manutenção do SUS depende de engajamento de toda a população brasileira.

"O Brasil, como um país, deve se unir e dar uma clara resposta ao ´e daí?' dito por seu presidente. Ele precisa drasticamente mudar de rumo ou deve ser o próximo a sair".

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