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Dólar sobe mais de 2% e bate novo recorde nominal, a R$ 5,528; Bolsa cai

do UOL

Do UOL, em São Paulo

23/04/2020 17h32Atualizada em 23/04/2020 17h47

O dólar comercial fechou em alta de 2,19%, vendido a R$ 5,528. Com o resultado, a moeda bateu mais um recorde nominal (sem considerar a inflação) de fechamento desde a criação do Plano Real, pelo segundo dia seguido.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda de 1,26%, a 79.673,30 pontos. A queda acontece diante de rumores sobre um pedido de demissão do ministro da Justiça, Sergio Moro, e do esvaziamento da empolgação da véspera com a recuperação esperada após a crise do coronavírus.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Possível saída de Moro

Investidores estavam atentos aos rumores sobre um pedido de demissão do ministro da Justiça, Sergio Moro.

Após ficar próximo aos 82 mil pontos no começo da sessão, estendendo o movimento de alta da véspera, o Ibovespa foi perdendo força, com o mercado atento ao cenário externo. A redução ganhou força com rumores de Moro ameaçou deixar o cargo se o presidente Jair Bolsonaro trocar o diretor-geral da Polícia Federal.

Participantes do mercado entendem que uma saída de Moro pode gerar mais tensões políticas dentro do governo e piorar a avaliação do próprio presidente. Moro está entre os ministros mais bem avaliados pela população.

"A bolsa perdeu mais de mil pontos em segundos", disse Henrique Esteter, analista de research e equity sales na Guide Investimentos.

Planos de recuperação da economia

As possíveis medidas para recuperar a economia brasileira do impacto da pandemia do coronavírus continuavam em pauta, após a divulgação do plano Pró-Brasil, da Casa Civil, que propõe um aumento nos investimentos públicos. O plano aborda linha diferente da defendida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que é a favor de investimentos privados no processo de retomada.

Apesar disso, a recessão do Brasil este ano é iminente, com pesquisa da agência de notícias Reuters prevendo recuo de 2,5% no PIB (Produto Interno Bruto).

A redução da taxa básica de juros, a Selic, a mínimas históricas afeta rendimentos atrelados aos juros básicos no Brasil, tornando o país menos interessante para investidores estrangeiros, o que tende a afetar o mercado de câmbio. Há expectativa de mais reduções.

Saída gradativa da quarentena

A sinalização do ministro da Saúde, Nelson Teich, para o fim do isolamento social também chamou a atenção de agentes do mercado. Teich não detalhou o cronograma para o movimento, mas disse que o governo atuará em cada região do país da forma que considerar mais adequada para a área.

Com as pessoas voltando às ruas, o setor varejista deverá ser o maior beneficiado, afirmaram analistas da XP Investimentos.

Dados sobre desemprego nos EUA

O mercado também observava dados econômicos do exterior. Cerca de 4,4 milhões de pessoas solicitaram auxílio-desemprego nos Estados Unidos na semana passada, número pouco acima da previsão de pesquisa da Reuters, mas que mostra uma desaceleração no movimento.

Também chamou atenção a queda na atividade industrial dos EUA, com o PMI preliminar despencando a 36,9, nível mais fraco desde março de 2009, ante 48,5 em março. Economistas esperavam recuo para 38,0 em abril.

Recorde do dólar não considera inflação

O recorde do dólar alcançado hoje considera o valor nominal, ou seja, sem descontar os efeitos da inflação, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Levando em conta a inflação nos EUA e no Brasil, o pico do dólar pós-Plano Real aconteceu no fim do governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 22 de outubro de 2002. O valor nominal na época foi de R$ 3,952, mas o valor atualizado ultrapassaria os R$ 7.

Fazer esta correção é importante porque, ao longo do tempo, a inflação altera o poder de compra das moedas. O que se podia comprar com US$ 1 ou R$ 1 em 2002 não é o mesmo que se pode comprar hoje com os mesmos valores.

* Com Reuters

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